Banestado ficou com mico, diz Gionédis
Banestado ficou com mico, diz Gionédis
Secretário da Fazenda admite que dificilmente o Banestado conseguirá resgatar os títulos públicos do governo de Alagoas
Carmem Murara
Arquivo FolhaA ver naviosGionédis: Ficamos com papéis que não têm valor algum no mercadoOs títulos públicos que a Corretora Banestado comprou de Alagoas só vão vencer em junho do ano 2000, mas o governo paranaense soube de antemão que não havia a mínima possibilidade de o governo alagoano resgatar os papéis. O governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros, anunciou nesta semana que o Estado não tem condições de pagar o resgate dos títulos emitidos. A declaração do governador já era esperada pelo governo do Estado. Micou, micou, micou. O Banestado micou com os títulos de Alagoas, pois ficamos com papéis que não têm valor algum de mercado, afirmou ontem o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis.
Mas o secretário garantiu que nem o Banestado nem o governo ficam com um prejuízo em decorrência do mico, devido à inclusão do banco estadual no programa de saneamento das instituições financeiras. O Banco Central incluiu as operações de compra de títulos no programa de saneamento, pois considerou a operação de difícil liquidação imediata, afirmou. A dívida do Estado de Alagoas com o Banestado acabará caindo dentro do pacote de financiamento do Banco Central.
A Banestado Corretora havia comprado R$ 96 milhões em títulos de Alagoas, além de outros papéis de Pernambuco, Santa Catarina e das cidades de Osasco e Guarulhos. O valor total da operação financeira foi de R$ 274,6 milhões, segundo levantou no ano passado os membros da CPI dos Precatórios, que investigou o uso indevido do dinheiro referente a emissão de títulos públicos.
O resgate dos papéis de Alagoas começou a vencer em junho do ano passado. O procurador de Justiça de Alagoas, Luis Carnaúba, informou que em junho deste ano venceu o segundo lote, quando deveriam ser resgatados mais um lote de 75 mil títulos no valor estimado de R$ 140 milhões. O governador não conseguiu resgatar este lote e não conseguirá resgatar nenhum dos outros dois, assegurou Carnaúba, em entrevista por telefone à Folha. O procurador foi o responsável pela denúncia nacional de desvio de recursos dos papéis de Alagoas.
O terceiro lote tem 75 mil títulos e o quarto, 76 mil. Sem lembrar ao certo a data do vencimento, o secretário Giovani Gionédis disse que achava que os títulos do Banestado venceriam somente dentro de dois anos. A informação dada pelo governo de Alagoas é que nenhuma corretora paranaense entrou nesta listagem dos papéis até agora, ficando para os dois lotes finais.
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, afirmou ontem que a compra de títulos podres de Alagoas foi uma operação de boa fé da Corretora Banestado. Compramos de boa fé títulos que tiveram a emissão autorizada pelo Banco Central e pelo Senado da República, afirmou Salomão. Ele lembrou que todas as compras se deram de maneira legal e conhecida de todas as corretoras.





