Os três funcionários da Banestado Leasing acusados de receber propinas no valor de R$ 1,4 milhão decorrente de operações irregulares no banco - Luiz Antonio Lima, José Edson Carneiro de Souza e Nacin Jorge André Filho - foram demitidos na segunda-feira. A decisão de afastá-los foi tomada pela maioria dos diretores que integra o Comitê Disciplinar do Banestado. Eles agiam na Leasing durante a gestão do atual secretário de Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos. Ex-diretor da Leasing, Magalhães dos Santos também está sendo investigado.
Lima e Souza foram demitidos por justa causa sob alegação de terem se envolvido em ‘‘operações que deram prejuízo’’ ao banco. André foi afastado sem justa causa. O processo que envolve Magalhães será encaminhado nos próximos dias para a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, órgão vinculado ao Ministério Público. ‘‘Como ele não está mais no banco, a investigação tem de ser feita via Justiça’’, informou ontem o presidente do Banestado Manoel Garcia Cid.
Neco Garcia disse que os membros do Comitê Disciplinar entenderam que os três funcionários estavam envolvidos diretamente no recebimento de propinas. Eles receberiam comissões irregulares para facilitar a concessão de contratos de leasing para empresas. As evidências foram se fortalecendo à medida que avançava a tramitação do processo administrativo contra os funcionários.
As transações eram feitas com várias empresas de Curitiba. Uma das que teria se beneficiado do esquema é a Olsen Veículos Ltda. O Ministério Público descobriu que três cheques da Olsen, no valor de R$ 175 mil, foram depositados na conta do consultor financeiro Euzir Bággio, no Citybank. O depósito aconteceu dois dias depois de a Leasing ter liberado um contrato de ‘‘lease back’’ imobiliário, em 2 de julho. No dia seguinte, houve uma transferência de R$ 85 mil para a conta do funcionário Luiz Antonio de Lima. Bággio é apontado no processo como um intermediador das empresas com os funcionários da Leasing.
Num documento elaborado pelo promotor Rodrigo Chemim Guimarães, que faz uma investigação paralela à auditoria do Banestado, somente nas contas bancárias dos três funcionários da Leasing tinha sido detectado R$ 1,4 milhão. O promotor teve denúncias anônimas que revelavam que eles faziam ‘depósitos expressivos’ nas contas em relação aos salários que recebiam. O salário médio de cada um girava em torno de R$ 2,3 mil.
A auditoria interna do Banestado começou em maio deste ano. Os resultados foram apresentados pelo presidente do banco. ‘‘Eles extrapolaram a responsabilidade do trabalho que faziam’’, afirmou ontem Neco Garcia. Ele garante que os ex-funcionários terão de devolver o dinheiro desviado.

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