Curitiba A possibilidade da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa, para investigar irregularidades no Banestado, deixou nos últimos dias o secretário de Estado da Adminstração, Reinhold Stephanes, em situação desconfortável. Único integrante do primeiro escalão do governo estadual a ter participado ativamente da gestão do ex-governador Jaime Lerner (PFL), Stephanes presidiu o banco em 1999 e 2000, período em que o banco sofreu um polêmico processo de saneamento para prepará-lo para a privatização.
O temor dos deputados governistas é que a CPI proposta acabe desgastando o secretário, e, por tabela, o governo Roberto Requião (PMDB). Na semana passada, enquanto os parlamentares discutiam quais comissões parlamentares deviam ser instaladas, a CPI do Banestado foi convenientemente esquecida pelos peemedebistas, apesar de ter sido uma bandeira dos deputados durante o mandato de Lerner. O ex-líder do PMDB na Casa Nereu Moura pedia a instalação imediata apenas de CPIs para investigar o pedágio e os Jogos da Natureza. Coube a Neivo Beraldin (PDT) a iniciativa de colher as assinaturas para propor a CPI do Banestado.
Ontem, Stephanes divulgou uma nota ofical afirmando que quando assumiu a presidência do Banestado, as irregularidades que têm movimentado o noticiário já haviam ocorrido. A Polícia Federal investiga a utilização de agências do banco em Foz do Iguaçu, Paraguai e Nova York entre 1996 e 1999 para lavagem de US$ 30 bilhões. Na nota, Stephanes esclarece que assumiu a presidência em janeiro de 1999. ''Um mês depois determinei a aceleração do fechamento da agência do banco em Nova York.''
Segundo Stephanes, as suspeitas de lavagem de dinheiro já vinham sendo investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público antes de 1999. ''Quando assumi, determinei o encerramento das operações com as contas CC-5 na agência de Foz do Iguaçu e instrui os gerentes da rede Banestado para estarem atentos a operações suspeitas. Nesse momento, determinei a implantação do que então eram as recentes normas que o BC estava baixando para regulamentar a lei de combate à lavagem de dinheiro, colaborando para evitar novos riscos de operações com dinheiro de sonegação, narcotráfico e contrabando pelo banco'', explicou Stephanes.
O ex-presidente do Banestado garante que a multa aplicada a agência de Nova York por autoridades financeiras norte-americanas não estava relacionada às suspeitas de lavagem de dinheiro. Na nota, Stephanes afirma que a multa se relacionava à falta de controles internos de uma forma genérica, e que o valor inicial da multa era de US$ 250 mil, sendo reduzida para US$ 75 mil após uma negociação com os advogados do banco.
''Uma eventual abertura de processo para contestá-la poderia levar de meses a anos para acontecer, e só poderíamos fechar a agência se pagássemos a multa'', diz Stephanes na nota. Segundo ele, o BC foi informado da decisão do Banestado de pagar a multa sem contestá-la para evitar atrasos no cronograma de privatização do banco.