A diretoria do Banco do Estado do Paraná (Banestado) contestou ontem a ação da Polícia Federal (PF) de Foz de Iguaçu quanto a apreensão de cheques na fronteira e a prisão de um funcionário que trabalha no Banco del Paraná (braço paraguaio do Banestado), acusado de envolvimento com a lavagem internacional de dinheiro. Em Maringá, o presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, disse ontem que a prisão do funcionário Victor Hugo Sosa foi uma ação ‘‘precipitada e ilegal’’ da polícia.
Stephanes disse que apesar de não existirem indícios de envolvimento do funcionário com qualquer tipo de problema legal, a Polícia fez a prisão e a imprensa ‘‘foi induzida’’ a relacionar o fato com outro tipo de problema da fronteira. ‘‘O funcionário estava desempenhando um trabalho de rotina, realizado normalmente todos os dias, e portando toda documentação que o serviço exige’’, alegou Stephanes. Ele criticou também o fato de a imprensa ter envolvido outros funcionários da instituição, que foram apenas convidados a depor.
O gerente Luiz Acosta, que trabalhava normalmente ontem na agência Centro do Banestado em Foz, confirmou que ele e outros dois funcionários nunca foram presos, mas apenas chamados à delegacia da PF no dia anterior para esclarecer como funcionava o envio de cheques de brasileiros, depositados no Banco del Paraná, para as contas de não residentes (as chamadas CC-5). ‘‘Fomos apenas explicar como funcionam estes depósitos, já que eles são realizados diariamente em nosso banco.’’
Acosta disse ainda que os 841 cheques – cujo valor total somava R$ 1,176 milhão – apreendidos com um contínuo do banco paraguaio na aduana brasileira da Ponte da Amizade (que liga Foz a Ciudad del Este), estavam com toda a documentação necessária para cruzar a fronteira. ‘‘O malote continha a Declaração de Porte de Valores (DPV), formulário do Banco Central previsto em instruções normativas de qualquer agência. Além disso, os documentos são acompanhados de uma listagem detalhada’’, explicou o gerente, referindo-se ao disquete encontrado na bolsa do funcionário paraguaio Victor Hugo Sosa, onde estavam gravados dados detalhados dos cheques.
A conta corrente do Banco del Paraná é a única CC-5 mantida pelo Banestado de Foz do Iguaçu. A conta é usada para ressarcir comerciantes de Ciudad del Este que recebem cheques de turistas e sacoleiros brasileiros, transação considerada comum na fronteira. A maioria dos lojistas paraguaios possui conta na afiliada do Banestado. Os cheques são carimbados nas lojas, depositados e enviados a Foz, onde são convertidos em dinheiro. De Curitiba, a diretoria confirmou que os depósitos continuarão sendo feitos normalmente até que novas determinações federais sejam divulgadas.
Agentes da Polícia Federal enviados de Brasília para o Paraná estariam investigando o que seria o novo esquema de lavagem usado pelo crime organizado brasileiro, que usa o dinheiro sujo na compra de cheques das empresas de factoring para depois enviá-los ao exterior, onde seriam tidos como gastos de estrangeiros. Entre os correntistas proprietários dos cheques apreendidos, pelo menos dois deles confirmaram à PF que nunca foram ao Paraguai. Estima-se que pelo menos R$ 20 milhões são lavados diariamente na fronteira.

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