Kraw Penas/Folha de LondrinaBarrados no baileCarro de som do Sindicato dos Bancários expõe faixa pedindo CPI: acesso aos depoimentos reservado aos deputadosA direção da Banestado admitiu ontem, durante sessão secreta na Assembléia Legislativa, irregularidades em algumas operações de leasing contratadas no ano passado. Conforme relato feito pela bancada do PT após a sessão, que durou cinco horas, o ex-presidente da Banestado Leasing e atual secretário de Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos, admitiu que a empresa Rápido Laser, que contraiu leasing no valor de R$ 3,5 milhões, forneceu endereço falso no contrato.
O endereço oferecido pela Rápido Laser no contrato é o mesmo do escritório de Joaquim dos Santos Filho, pai de Osvaldo dos Santos. O ex-presidente da Leasing justificou a operação afirmando que a Rápido Laser estava transferindo sua sede de Sergipe para o Paraná e, por isso, teve seu contrato liberado. Os R$ 3,5 milhões contratados pela empresa, que atua no setor de transportes, ainda não foram pagos. A primeira parcela deveria ter sido quitada em julho do ano passado.
O presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, que está acumulando a presidência da Leasing, evitou comentar com os jornalistas o teor das discussões da sessão secreta, que movimentou também o governo. O chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, esteve na Assembléia antes da sessão e circulou com deputados.
Pelo relatório da bancada do PT, as operações questionáveis da Leasing somam R$ 81,9 milhões liberados para empresas cujo total do limite de crédito não chegava a R$ 3,6 milhões.
Entre as empresas com financiamentos questionados na sessão estão a Sociedade Construtora Taj Marral Ltda, do ex-secretário geral do PSDB no Paraná Teobaldo Machado, e a Cotrans Comércio e Transportes Ltda, fornecedora de veículos alugados ao governo do Estado, além da Amorim Sergipe Transportes, Desafio Locadora de Veículos e Xingu Construtora de Obras.
A explicação fornecida pelo Banestado para essas operações foi de que não existe limite de crédito em arrendamento mercantil e que a garania das operações são os próprios bens arrendados. Alguns dos diretores do Banestado ofereceram aos deputados a possibilidade de quebra do sigilo bancário de suas contas, mas o presidente da Assembléia, Aníbal Khury, articulou a dispensa dessa medida. ‘‘Temos de preservar a instituição do Paranᒒ, afirmou.
A sessão secreta da Assembléia aconteceu sob forte esquema de segurança. O prédio do plenário da Casa foi isolado e os dois postos bancários que funcionam na parte superior ao plenário encerraram o expediente às 12 horas. Dois diretores do Sindicato dos Bancários tentaram fixar uma faixa no lado externo da Assembléia, pedindo a instalação da CPI do Banestado. A iniciativa de Almir de Souza e Eustáquio dos Santos foi combatida por seis seguranças da Assembléia, que agrediram fisicamente os manifestantes e apreenderam a faixa.
Após cinco horas de depoimentos de toda a direção do Banestado, do secretário da Fazenda, Miguel Salomão, e do secretário de Esporte, Osvaldo dos Santos, a bancada de apoio ao governo deixou o plenário satisfeita com as explicações apresentadas. O líder do governo, Valdir Rossoni, minimizou a atuação da oposição, afirmando que nenhum documento comprovando irregularidades foi apresentado.
A oposição, que tinha em mãos a lista das ligações telefônicas feitas pelo empresário Fausto Solano Pereira, dono da corretora Boasafra - conseguida por Ângelo Vanhoni (PT) junto ao senador Roberto Requião (PMDB) -, deixou a sessão pedindo CPI no banco.
‘‘No início da sessão, apenas um diretor do Banestado admitiu ter feito contato com o Solano em 1994. Depois que apresentamos a relação das ligações obtidas em Brasília, quase toda a diretoria admitiu ter feito contato com o empresário. Essas contradições só poderão ser esclarecidas por uma CPI’’, defendu Vanhoni.

mockup