Curitiba A CPI do Banestado instalada na Assembléia Legislativa ouviu novamente, ontem, o ex-diretor da Banestado Corretora, Raul Félix, e o ex-coordenador de comunicação social do banco, José Schalapack. Os deputados consideraram que os depoimentos de Félix e Schalapack na segunda-feira sobre as operações do banco às vésperas da privatização não foram esclarecedores, e aproveitaram a sessão de ontem para pegar detalhes sobre operações de financiamento da empresa.
No depoimento de ontem, Félix deu detalhes sobre um financiamento de R$ 6,8 milhões para a empresa Essex, em 1997, período em que já se planejava a privatização do Banestado. O banco aceitou como garantia pelo financiamento um lote de títulos imobiliários, que mais tarde foram taxados como podres, ou seja, não seriam aceitos no mercado pelo seu valor de face.
Posteriormente, o Banestado aceitou trocar a garantia dos títulos podres por um terreno, avaliado pelo banco por R$ 5,3 milhões. Entretanto, três análises de imobiliárias confirmaram que o valor da propriedade não passava de R$ 900 mil, e que mesmo assim o banco não teria direitos plenos sobre o terreno: o contrato previa apenas o direito de uso do local, e não de propriedade.
Os deputados ouviram também o ex-diretor-presidente da Banestado Corretora e ex-sócio da empresa de crédito pessoal Megacred Rodrigo Pereira Gomes Júnior. O principal questionamento foi o fato de Gomes Júnior ter atuado no Banestado ao mesmo tempo em que era sócio da Megacred, o que é proibido pelo Banco Central. Ele alegou que havia deixado o controle da Megacred para trabalhar na corretora, passando o controle acionário a seu irmão.
Apesar do foco da investigação ser o Banestado, vários credores da Megacred que faliu, deixando uma dívida de R$ 60 milhões, compareceram à Assembléia. Ao final do depoimento, Gomes Júnior teve que deixar o local apressadamente, sendo vaiado e chamado de ''golpista'' e ''ladrão'' pelo público que acompanhou a sessão. O ex-sócio da Megacred chegou a levar um chute quando tentava entrar em seu carro.
Após os depoimentos sobre as atividades da Corretora, os deputados da CPI voltaram a questionar Schalapack sobre os gastos com publicidade realizados entre 1995 e 1999. O deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB) questionou o fato de R$ 36,4 milhões terem sido gastos em apenas quatro meses, sendo que já se havia deliberado sobre a privatização do Banestado. ''Se o banco estava sendo vendido, por que gastaram vela com mau defunto?'' questionou Bradock.
O coordenador de comunicação social do banco reafirmou que as ordens de pagamento vinham direto da Secretaria de Estado da Comunicação Social, cujo secretário à época era Jaime Lechinski. Segundo Schalapack, duas agências prestavam os serviçoes de publicidade do banco: a Mercer e a Heads, sendo que nesta as questões relativas à comunicação eram negociadas com o genro do então governador Jaime Lerner (PSB), Cláudio Hoffmann. Os deputados decidiram convocar Lechinski, e representantes da Heads e da Mercer para prestar depoimentos na próxima terça-feira.

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