Bandeira do Paraná vai mudar de novo
Curitiba - A bandeira e o escudo (ou brasão de armas) do estado do Paraná vão retomar os desenhos originais, que tinham até 1990, no governo do hoje senador Alvaro Dias (PDT). A determinação é do Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmou, em 1999, decisão do Tribunal de Justiça (TJ), proferida em 1992, anulando uma lei complementar editada no governo Alvaro Dias, que determinou a alteração nos desenhos.
O governador Jaime Lerner (PFL) já baixou decreto para fazer valer a ordem do Supremo Tribunal de Justiça. Em 180 dias, a bandeira e o escudo serão substituídos nos impressos oficiais, edifícios públicos, placas e carros do governo. Não há ainda um levantamento oficial de quanto as mudanças vão custar ao cofres públicos do Estado.
Os símbolos originais eram utilizados desde 1947, no governo de Moysés Lupion. Agora, a bandeira volta a ter a esfera com as cinco estrelas simbolizando o Cruzeiro do Sul, atravessada por uma faixa branca com a inscrição Paraná.
A inscrição foi suprimida na versão de 1990. Os ramos ao redor da esfera são de erva-mate e de pinheiro-do-paraná. Já o brasão vai ter novamente o desenho de um gavião de penacho, que indicava sorte para os índios guaranis que povoavam o Estado.
O gavião havia sido trocado por uma harpia (espécie de falcão que tem a parte superior cinza-claro, crista e fita peitoral cinza e cauda parda - ave encontrada em várias regiões da América do Sul). O escudo traz ainda três picos que representam os três planaltos.
As mudanças foram feitas no final do governo Alvaro Dias. Procurado pela Folha ontem, o senador não quis comentar a decisão. O secretário de Cultura na época, o criminalista René Dotti, explicou que as alterações foram implantadas com base em um projeto do professor Ernani Strauber, especialista em heráldica, a ciência dos brasões.
Tínhamos em mãos estudos avaliando que os símbolos não identificavam as peculiaridades do nosso Estado, disse o ex-secretário. Mudamos porque os novos eram mais representativos, explicou René Dotti.
De acordo com o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, as alterações só poderiam ter sido feitas através de emenda à Constituição, e não por força de lei complementar. Dotti, no entanto, entende que a discussão não está encerrada. O criminalista aposta que a discussão será reaberta.
A ação propondo a retomada dos antigos padrões partiu do deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT). Os símbolos antigos representavam mais a história do povo do Paraná, disse.
Vou propor agora uma ação pedindo o ressarcimento aos cofres públicos de todo dinheiro que foi gasto com a mudança, prometeu o deputado, inconformado com a despesa que o governo teve que arcar para fazer todas as mudanças necessárias.
O advogado que representou o petista, Francisco Brito de Lacerda, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Estado, entrou com a ação há cerca de dez anos, pouco tempo depois da troca dos símbolos.





