Bancos doaram R$ 109 mi para candidatos
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de novembro de 2010
Daniel Bramatti<br>Agência Estado 
São Paulo - Os bancos brasileiros doaram pelo menos R$ 109 milhões a candidatos e a partidos durante a campanha eleitoral de 2010 - essa quantia crescerá quando forem conhecidas as prestações de contas finais de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) e as dos candidatos a governador que disputaram o segundo turno O mapa do financiamento de campanha segundo os setores da economia, obtido pela colunista do jornal ''O Estado de S Paulo'' Sonia Racy, mostra bancos em segundo lugar no ranking das doações, atrás somente das empreiteiras, que contribuíram com R$ 233 milhões
Os números se referem a doações a partidos, a comitês financeiros de campanha e a candidatos ao Congresso, às Assembleias Legislativas, aos governos estaduais e à Presidência da República - nesse último caso, apenas os dados de Marina Silva (PV) são integrais
Os dados parciais mostram que os bancos fizeram 51% de suas contribuições às direções nacionais e estaduais de partidos Nesse caso, o dinheiro é redistribuído pelos partidos para o caixa dos candidatos, sem que se possa fazer a conexão de quem doou para quem - são as chamadas doações ocultas Apenas 32% dos recursos foram distribuídos diretamente a candidatos, e o restante a comitês de campanha
O Bradesco aparece como o líder no ranking de doações do setor financeiro: foram R$ 45 milhões - total que inclui contribuições de outras duas empresas do grupo, o Bankpar e o Banco Alvorada Em segundo lugar está o BMG, com R$ 29 milhões, mais do que o dobro do terceiro colocado, o Itaú Unibanco, com R$ 14 milhões O BMG foi investigado no escândalo do mensalão, em 2005, por ter feito empréstimos ao PT e a empresas do publicitário Marcos Valério sem exigir garantias adequadas e observar outras regras do Banco Central
Das maiores contribuições individuais feitas pela instituição, grande parte se concentrou em Minas Gerais, estado onde está sediado O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), que concorreu ao Senado e foi derrotado, recebeu R$ 500 mil Outros R$ 300 mil foram destinados a Aécio Neves (PSDB), ex-governador e senador eleito
As doações do BMG para comitês e partidos, que beneficiaram candidatos cuja identidade não é de conhecimento público, foram dirigidas tanto para governistas como para oposicionistas Campanhas do PSDB em três Estados - Minas Gerais, Tocantins e Pernambuco - receberam R$ 3,1 milhões O PT foi beneficiado com R$ 2,2 milhões, metade disso para a direção nacional do partido e metade para comitês em Minas e São Paulo DEM e PMDB receberam somas ainda mais vultosas do BMG - R$ 4,5 milhões e R$ 3,2 milhões, respectivamente
O mineiro Aécio Neves recebeu R$ 500 mil do Itaú Unibanco O Itaú também contribuiu com R$ 1 milhão para cada um dos dois principais candidatos ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT) Outros candidatos a governador que tiveram parte da campanha financiada pela instituição foram Sérgio Cabral (PMDB-RJ), com R$ 700 mil, Antonio Anastasia (PSDB-MG), com R$ 700 mil, Beto Richa (PSDB-PR), com R$ 500 mil, e Osmar Dias (PDT-PR), com R$ 500 mil


