Bancos devem dobrar lucros no governo Lula
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sábado, 13 de agosto de 2005
Fernando Dantas<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro Os três maiores bancos privados nacionais, Bradesco, Itaú e Unibanco, caminham este ano para mais do que duplicar os seus lucros desde o início do governo Lula. Segundo estimativas do CS First Boston (CSFB), o lucro conjunto dos três bancos deve atingir R$ 12,5 bilhões em 2005 (R$ 5,4 bilhões do Bradesco, R$ 5,3 bilhões do Itaú e R$ 1,86 bilhão do Unibanco). Em 2002, último ano antes do governo Lula, a soma dos lucros do Bradesco, Itaú e Unibanco atingiu R$ 5,4 bilhões. Em termos nominais, o aumento seria de 131%, caso a estimativa esteja correta. Descontando-se a inflação de 24% no período, isso significaria 87% a mais de ganhos.
No primeiro semestre de 2005, os três grandes bancos privados, que divulgaram os balanços na semana passada, registraram lucro líquido de R$ 5,95 bilhões, com um aumento de 62,8% em relação ao mesmo período de 2004. O lucro líquido do Bradesco foi de R$ 2,6 bilhões, com crescimento de 109,7% em relação ao primeiro semestre de 2004; o Itaú lucrou R$ 2,47 bilhões, com avanço de 35,6%; e o Unibanco teve lucro líquido de R$ 854,2 milhões, crescendo 47,1%.
Segundo Carlos Daniel Coradi, diretor-presidente da Engenheiros Financeiros & Consultores (EFC), apesar do forte crescimento em crédito do Itaú e do Bradesco no primeiro semestre de 2005, não é esta a principal razão para o extraordinário lucro das duas instituições no período. No conjunto, o lucro dos três maiores bancos privados nacionais cresceu 62,8% no primeiro semestre de 2005.
Gustavo Pedreira, do Ineped analista financeiro do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), de Ribeirão Preto, nota que o Bradesco ainda tem mais espaço para melhorar o indicador que mede a receita com serviços (tarifas) em relação aos gastos com pessoal. No caso do Itaú, este indicador já está no nível de 170%, o que indica que as tarifas rendem 70% a mais do que toda a despesa com a folha de pessoal.
A valorização do real no primeiro semestre de 2005, quando a moeda americana caiu de uma cotação de R$ 2,67 para R$ 2,37, influenciou o resultado dos bancos. O valor das receitas totais de crédito do Bradesco, Itaú e Unibanco, de R$ 17,1 bilhões, é praticamente idêntico ao do mesmo período de 2004, sem descontar a inflação. Pedreira observa, no entanto, que as receitas vinculadas ao dólar tiveram queda no seu valor em reais, o que pode explicar o motivo de o valor total não ter crescido.


