Bancos buscam fórmula para diluir prejuízo
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - Bancos e fundos prejudicados pelo calote nos títulos de Alagoas e Osasco buscam formas de diluir seus prejuízos e resguardar credibilidade perante o mercado e os cotistas. Por isso mesmo, é difícil até para quem tem muita experiência no mercado afirmar, de imediato e com certeza, quais as instituições mais atingidas pelo calote e em que montante.
A única pista dada ontem pelo mercado à vista sobre o problema foi a continuidade de duas taxas-over informais negociadas para bancos de primeira linha (taxas mais baixas) e de segunda linha (mais altas). No primeiro caso, era possível obter crédito por um dia a 2,22%, por exemplo; no segundo, a 2,30%. No mercado futuro, as taxas não demonstravam preocupação. As projeções de juros para os próximos meses, observadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros, fecharam em baixa se comparados a sexta-feira.
Essa seletividade no repasse de dinheiro, fruto da desconfiança na saúde financeira de instituições de menor porte, já vem desde a liquidação extrajudicial do Banfort e deve se agravar depois que os papéis de Alagoas e de Osasco viraram mico, no jargão do mercado. Pelos cálculos da CPI dos Títulos Públicos, os títulos de Alagoas somavam, em 28 de fevereiro, R$ 104.316.661,88. Os de Osasco totalizavam aproximadamente R$ 30 milhões.
Desde sexta-feira passada, quando se tornou público que o governo federal recusara ajuda ao Estado de Alagoas para honrar o pagamento dos títulos, vários bancos se apressaram a anunciar que não eram detentores finais dos papéis, mas apenas custodiantes destes para terceiros. Nesse caso, a perda é toda dos clientes que os compraram, contando com uma rentabilidade excelente, exatamente porque eram papéis de risco. Porém, se algum banco tiver ajudado seus clientes com financiamento da compra, amargará prejuízo também (e é claro que o banco não vai anunciar isso).


