Banco tinha agência de segurança com policiais, diz deputado de CPI
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terça-feira, 14 de agosto de 2001
Luciana Pombo<BR>De Curitiba 
O presidente da CPI da Telefonia, Tony Garcia (PPB), disse que os depoimentos coletados ontem pela manhã, na Assembléia Legislativa, reforçam por enquanto a tese de que o Banco HSBC montou uma agência de segurança interna, com agentes federais, policiais militares e civis de todo o País, o que é ilegal. Além do HSBC, a CPI investiga suposto envolvimento da Telepar Brasil Telecom.
Esta segunda versão da CPI apura o envolvimento do HSBC num esquema de escutas clandestinas denunciado pelo Sindicato dos Bancários do Paraná. Mas os integrantes ainda não conseguiram reunir provas suficientes para incriminar a instituição. Os deputados tentam encontrar, via Interpol, o coronel inglês Lewis Keith, apontado como o responsável pelo esquema de espionagem.
O chefe de segurança do HSBC, Florindo de Lima, um dos depoentes, reconheceu 90% dos nomes de agentes e policiais apresentados durante a sessão. Ele trabalha no banco com a prevenção criminal em agências e admitiu a prestação de serviços de policiais no Departamento de Segurança do HSBC. Ele negou, porém, negou qualquer tipo de irregularidade nos serviços prestados.
''Em vez do HSBC fazer investigações com o auxílio da polícia, contratava policiais para montar uma rede própria de investigação. A nossa dúvida agora é com que tipo de expediente trabalhava esta agência'', declarou Garcia.
O advogado criminalista e gerente de segurança do HSBC, Vitor Gardolinski Júnior, negou a contratação de policiais no Departamento de Segurança. Mas acabou se contradizendo. Ele admitiu ter ciência de que os policiais Jorge Luis Martins (ex-sargento da PM) e Sérgio Luiz de Oliveira (policial civil) prestavam serviços o banco.
A CPI levou Gardolinski para uma acareação com o ex-funcionário do HSBC Vaolmir Macedo de Oliveira; com a mulher dele, Judite de Oliveira; e ainda com o advogado criminalista Antônio Carlos Ferreira, para explicar uma suspeita ação policial de busca e apreensão de documentos realizada na casa dos Oliveira.
A casa fica no bairro Boqueirão, em Curitiba, e o assunto deveria ser atendido pelo 7º Distrito Policial, mas foi o 1º DP que fez a apreensão. Judite disse que o advogado do HSBC se apresentou como delegado de polícia e agiu como tal durante a pretensa ação policial. Vaolmir foi acusado de praticar agiotagem.
Os deputados consideraram um exagero do HSBC enviar funcionários para uma ação que teria que ser policial. ''Tínhamos que ir em várias pessoas para pegar os documentos. Não sabíamos o que iria acontecer. Mas somente eu entrei'', justificou o advogado.
O diretor executivo de Relações Institucionais do Banco, Hélio Ribeiro Duarte, disse ontem que as acusações de Garcia de que o banco teria a seu serviço uma agência de segurança com policiais contratados irregularmente não procedem e que a instituição vai tomar medidas para esclarecer os fatos.
Duarte disse que os esclarecimentos serão feitos à própria CPI e não descartou a possibilidade de o HSBC ingressar com uma medida judicial. ''Primeiro não conseguiram comprovar a existência de escutas telefônicas. Agora estão dizendo que nos valemos de um sistema de espionagem interno. Estas acusações são tão absurdas quanto as iniciais.''
O diretor do banco disse que motivações políticas estão por trás da CPI. ''Qual o interesse político de tudo isso? Queremos trabalhar em paz, mas está difícil'', reclamou. (Colaborou Leandro Donatti)


