O Banco do Brasil poderá arcar com um prejuízo de R$ 40 mil devido a uma tentativa de desvio de R$ 1,225 milhão da conta 45.0 na agência do Senado, cujo titular é o comitê financeiro do candidato Fernando Henrique Cardoso. O banco e a Polícia Civil de São Paulo estão atrás dos responsáveis por três tentativas de transferência de dinheiro da conta do comitê para terceiros, por meio de computadores, ocorridas entre os dias 7 e 10 de agosto.
Desde que o banco detectou a fraude e avisou a polícia, quatro pessoas foram presas em São Paulo, segundo informações do comitê da reeleição. No dia 7, a coordenação financeira da campanha recebeu um telefonema do gerente do BB na agência do Senado, Euzébio Bartolomeu Ribeiro Filho, avisando que a conta do comitê havia sofrido tentativas de invasão eletrônica. O banco suspeita que tenha sido vítima de quadrilha especializada em manipular sistemas eletrônicos ou mesmo hackers (invasores de redes de computadores).
Duas transferências chegaram a ser feitas no sistema no dia 7 - a primeira de R$ 400 mil, que foi parcialmente bem sucedida, e a segunda de R$ 500 mil, abortada em seguida numa agência da Zona Leste de São Paulo. Uma terceira tentativa de transferência de R$ 325 mil ocorreu na segunda-feira passada, mas também fracassou. Na primeira transferência, o fraudador conseguiu efetuar o débito na conta do comitê, em favor de um correntista cujo nome não foi revelado, e em seguida fez novos créditos pulverizados em contas de terceiros.
Foi nesse furto virtual que se deu o prejuízo até agora contabilizado para o BB. O coordenador de finanças e informática, Egydio Bianchi, afirmou ontem que a cifra de R$ 400 mil não chegou a ser debitada na conta do comitê, mas o rastreamento feito pelo banco demonstrou que foram concluídas com sucesso novas transferências desse dinheiro, totalizando R$ 40 mil que foram sacados numa agência de Osasco. ‘‘Não houve um centavo de débito indevido na conta do comitê que tenha sido concluído’’, disse ele.
Segundo as explicações do próprio Bianchi, um contrato entre o comitê e o BB estipula que todas as transferências eletrônicas - meio usado em 90% dos pagamentos feitos pelo comitê - sejam confirmadas no dia seguinte por escrito. Só então o débito é concretizado. O comitê responsabiliza o BB por qualquer movimentação executada sem a confirmação dos responsáveis. Como o comitê não confirmou o débito, o banco terá que arcar com o prejuízo, caso não consiga obter de volta os R$ 40 mil efetivamente desviados.

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