Banco perdoou deputado, acusa Requião
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Leandro Donatti 
Albari RosaA ironiaSenador Requião mostra documentos para acusar Amaral: Ele sempre foi um homem corretoO pré-candidato do PMDB ao governo do Estado, senador Roberto Requião, acusou ontem o deputado estadual Durval Amaral (PFL) de ter se beneficiado de um perdão financeiro de até R$ 1,7 milhão junto ao Banestado. A denúncia refere-se a uma dívida de R$ 2 milhões contraída pelo deputado, pela Agropecuária Oásis Ltda, de propriedade de sua família em Cambé, e do produtor rural João Sanches Camacho, em outubro de 95. Requião vincula o desconto concedido pelo Banco à troca partidária feita pelo deputado em agosto de 97, quando deixou o PMDB para filiar-se ao PFL do governador Jaime Lerner.
O senador apresentou ontem em Curitiba cópias da escritura pública referente a um acerto de dívida firmado entre o ex-gerente regional do Banestado em Londrina Gilmar Longo da Rocha, o deputado e Sanches Camacho, em março de 97, num cartório localizado no distrito de São Luiz, próximo a Londrina. Para quitar a dívida, as famílias Amaral e Camacho entregaram três imóveis - avaliados pelo senador em R$ 300 mil e pelo deputado Durval Amaral em R$ 750 mil -, uma chácara de 13 alqueires em Rolândia e dois apartamentos no balneário Caiobá, no litoral do Estado.
Os documentos revelando a transação foram repassados ao senador no último final de semana em Cambé por lideranças locais, durante reunião feita com lideranças peemedebistas. Requião promete pedir hoje ao presidente do Banco Central, Gustavo Franco, em Brasília, medidas administrativas para apurar o caso. Ele diz que o BC tem condições de instaurar uma sindicância para investigar a regalia concedida ao deputado. As bancadas do PMDB e do PT vão entrar com uma ação popular para fazer com que este deputado devolva todo o dinheiro devido. É esse o padrão de compra no Paraná, reforçou o senador, sugerindo que o suposto envolvimento de Durval Amaral num esquema junto ao Banco, não é fato isolado.
Requião disse ainda lamentar o envolvimento do deputado que já foi do PMDB e que já ocupou um lugar de destaque na sua equipe, quando governador de Estado. Durval Amaral foi o secretário do Trabalho e Ação Social, em 92. Ele (Amaral) sempre foi um homem correto. Este é o seu primeiro deslize tornado público. O que confirma que a ocasião é que faz o ladrão, ironizou o senador. O negócio do Durval é melhor que o da (montadora) Renault, emendou.
A Folha não conseguiu localizar ontem o ex-diretor regional do Banestado em Londrina, Gilmar Longo da Rocha. Ele foi transferido para a agência Muricy em Curitiba e está de férias até o final do mês. A assessoria da vice-presidência do Banestado informou que somente uma análise mais detalhada da escritura pública que selou a quitação da dívida pode detectar se houve algum excesso na hora de se compor. A assessoria lembra que a dívida pode ter desprezado juros cobrados antes da estabilização da moeda.


