Banco pediu inquérito contra ex-diretor, que mentiu ao BC
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
A Folha teve acesso ontem à cópia de um documento enviado pela Divisão Jurídica do Banestado para a Procuradoria da República, em 23 de julho de 1997, com o pedido de abertura de inquérito policial sigiloso contra o ex-diretor da Banestado Leasing Osvaldo Magalhães dos Santos. A solicitação, assinada pelo advogado e procurador do banco Francisco Afonso Jawsnicker, afirma que a Divisão de Auditoria Gestional do Banestado comprovou que Magalhães prestou informações falsas ao Banco Central, numa correspondência datada de 26 de julho de 1996 (em nota oficial publicada nos jornais na última quarta-feira, o Banestado informou que Osvaldinho havia deixado o cargo dois dias antes desta data).
Na correspondência ao BC, Osvaldinho Magalhães se defendia da irregularidade apontada pela auditoria do Banco Central realizada na Leasing: Liberação de operação a cliente com informações cadastrais insuficientes, tendo sua sede localizada em endereço de pessoa ligada ao diretor responsável pela instituição.
A auditoria comprovou que no contrato de arrendamento mercantil firmado em 20 de novembro de 1995 (no valor de R$ 3,5 milhões) entre a empresa Rápido Laser Ltda., e a Leasing, o endereço fornecido pela empresa era o mesmo do pai de Osvaldinho, o deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL) Rua Comendador Araújo, 510, conjunto 1.401 do Edifício Adam Smith, na capital. O deputado não quer se pronunciar sobre o assunto.
Na versão apresentada ao BC, Osvaldo sustentava que a informação não procedia e que o endereço citado foi um equívoco do setor de cadastro da agência detentora da conta (Agência XV de Novembro) e que o mesmo foi utilizado apenas para entrega de correspondências e nunca para filial da empresa.
Osvaldo Magalhães, diretor da Leasing na época dos supostos desvios, posteriormente exerceu o cargo de secretário de Esportes e Turismo do governo Jaime Lerner. Em setembro de 1998, ele morreu num acidente de automóvel perto de Ponta Grossa. O espólio do ex-diretor está sendo responsabilizado pelo Ministério Público pelos desvios, juntamente com outras 9 pessoas e empresas.


