São Paulo - O executivo Vinícius Veiga Borin, novo delator da Operação Lava Jato, afirmou que o Meinl Bank Antigua, supostamente adquirido pela Odebrecht para repassar propinas no exterior, movimentou pelo menos US$ 1,6 bilhão.
Em depoimento prestado no dia 17 ao procurador regional da República Orlando Martello, o delator declarou que "tem conhecimento que o Meinl Bank tem contas operacionais da Odebrecht, da mesma forma em nome de offshores". Ele não revelou, porém, os nomes das offshores e nem quem as controla.
Vinícius Borin relatou transferências "suspeitas" das contas associadas à Odebrecht que somam ao menos US$ 132 milhões. Ele trabalhou em São Paulo na área comercial do Antigua Overseas Bank (AOB), entre 2006 e 2010. Borin e outros ex-executivos do AOB se associaram a Fernando Migliaccio e Luiz Eduardo Soares, então integrantes do Departamento de Operações Estruturadas - nome oficial da central de propinas da empreiteira, segundo Lava Jato - da Odebrecht para adquirir a filial desativada do Meinl Bank, de Viena, em Antigua, paraíso fiscal no Caribe.
A empreiteira está negociando acordo de leniência. Seu principal executivo, Marcelo Odebrecht, está próximo de acertar delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato.
Em seu depoimento, Vinícius Borin disse que "não pode afirmar" que Marcelo Odebrecht tinha conhecimento da estrutura financeira do esquema. "Mas pelo volume de dinheiro e da estrutura criada considera ser impossível ele (Odebrecht) não ter tido conhecimento de seu funcionamento", argumentou o delator.

'AMADA AMANTE'
Primeira detida na Operação Lava Jato e umas das personagens mais icônicas da investigação, a doleira Nelma Kodama deixou a prisão ontem após firmar um acordo de delação premiada. Autointitulada "a última grande dama do mercado", Nelma, 49 anos, que já teve um relacionamento com o doleiro Alberto Youssef, ganhou notoriedade após cantar "Amada Amante" durante uma sessão da CPI da Petrobras, no ano passado, e salvar um carcereiro de um ataque cardíaco na Polícia Federal.
A delação, que foi negociada durante meses, ainda não foi homologada pelo juiz Sergio Moro. Em declarações anteriores, a doleira prometeu detalhar como mudanças na regulamentação bancária abriram caminho para a abertura de contas ocultas no exterior, facilitando a lavagem de dinheiro.
Nelma estava presa havia dois anos e três meses, desde março de 2014 - quando foi pega no aeroporto de Guarulhos (SP) com 200 mil euros na calcinha, ao tentar sair do País.
A doleira já foi condenada a 18 anos por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, mas irá cumprir uma pena diferenciada por causa do acordo. Ela instalou uma tornozeleira eletrônica e irá permanecer em prisão domiciliar.
O advogado de Nelma, Juan Marciano Viera, não quis se manifestar sobre os detalhes da negociação. "Ela está bem tranquila, consciente da situação em que está e da punição que já teve. Foi uma experiência que certamente trouxe muito aprendizado para ela", disse à reportagem.
Quando estava presa, a doleira ainda prometia escrever um livro sobre suas experiências. O advogado diz que "material para isso ela tem". "Só falta ver se ela vai levar o plano adiante."

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