Giovani Ferreira
De Curitiba
O Banco Santander confirmou a propriedade sobre os 63 caminhões e os dois ônibus encontrados em um depósito ‘‘estourado’’ – e colocado sob suspeita – no dia 1º de abril, pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar (P2), em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. A princípio, a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) – que respaldou a operação da P2 – acreditava tratar-se de veículos roubados, que fariam parte do esquema de desmanches do empresário Paulo Gilberto Pacheco Mandelli, que está foragido e com sua prisão preventiva decretada.
O diretor de relações instituticionais do Santander, Evandro Pagy, que num primeiro momento negou a propriedade sobre os caminhões, acabou confirmando anteontem que os veículos pertencem ao banco. Uma investigação da Folha apontou precipitação da P2 e da PIC, em matéria no último domingo. Pagy confirmou que o lote de veículos são bens recuperados junto a clientes inadimplentes das carteiras de financiamentos do banco, como é o caso da leasing. O diretor descartou qualquer possibilidade de envolvimento do Santander com o empresário Paulo Mandelli.
‘‘Os caminhões são de propriedade do banco, mas são absolutamente legais’’, esclareceu. De acordo com Pagy, o galpão é alugado pela Garagem Santa Felicidade, das empresárias Alaíde Boschilia e Joelma Dvoranovski, residentes em São Bernardo do Campo (SP). Segundo o diretor do Santander, essa empresa presta um serviço terceirizado, funcionando como depositária do banco. A Garagem Santa Felicidade teria locado o galpão do empresário Carlos Real, proprietário da Construtora Junção Ltda.
Na avalição de Pagy, a investigação sobre os caminhões foi um mal-entendido. Conforme ele, ‘‘uma história sem pé nem cabeça’’ que pode afetar a credibilidade do banco. O único problema, disse Pagy, é que o galpão está localizado dentro de um condomínio onde o empresário Mandelli também possui um terreno.
Os veículos são recuperados pelo banco através de mandado de busca apreensão, expedidos pela Justiça de vários municípios. O bem apreendido fica guardado pelo banco até que seja liberado pela Justiça para ser novamente comercializado. A guarda do veículo pode, como é o caso do Santander, ser de responsabilidade de uma empresa terceirizada.
A suspeita de que os veículos não tinham ligação com Mandelli foi reforçada pelo serviço de perícia do Instituto de Criminalística do Paraná, que depois de uma semana de vistoria não conseguiu encontrar nenhum sinal de adulteração nos caminhões examinados.

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