Bancários protestam contra HSBC
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sexta-feira, 08 de junho de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
O Sindicato dos Bancários de Londrina realizou ontem de manhã em frente à agência centro do Banco HSBC, uma manifestação de apoio aos demais sindicalistas de Curitiba, que teriam sido vítimas de escuta telefônica ilegal entre 1997 e 2000. No protesto, que atraiu a atenção de clientes e pessoas que passavam pelo calçadão, o sindicalista Paulo Lima vestiu roupas de lorde inglês, em alusão ao país de origem do banco. O lorde distribuiu grampos de cabelo às pessoas que circularam pelo local. Em uma faixa os sindicalistas escreveram: HSBC, o banco que escuta você.
Segundo o diretor-financeiro do sindicato, Geraldo Fausto dos Santos, não está descartada a possibilidade de ter havido escuta telefônica também em Londrina. Santos afirmou que um coronel aposentado da CIA (a agência de inteligência americana) teria sido contratado para montar o esquema que grampeou telefones de membros do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana. O esquema foi denunciado pelo ex-sargento da Polícia Militar Jorge Luiz Martins, que confessou ter sido liberado pelo alto comando da corporação para trabalhar na área de segurança do banco. O ex-sargento foi expulso da PM em março deste ano por envolvimento com o HSBC.
Conforme Santos, os sindicalistas não vão aceitar um simples pedido de desculpas por parte da direção do banco. É um crime inconstitucional contra a liberdade do cidadão, que deve ser apurado pelo governo federal, afirmou. Na opinião de Santos, o crime é de repercussão internacional e exige uma posição até do Ministério das Relações Exteriores. O Brasil não pode tolerar esse tipo de intervenção de grupos estrangeiros, sob risco de se tornar cúmplice. Os grampos que estão sendo detectados em palácios, empresas e na vida privada, para Santos, é um ato inadmissível.
O sindicato também realizou outro protesto original em frente ao Banco Itaú, no calçadão. O personagem de desenho animado Fred Flintstone foi encarnado por um sindicalista, como forma de chamar a atenção para medidas da Idade da Pedra que o banco vem tomando. De acordo com o sindicalista Geraldo Santos, o projeto de Ação Gerencial Itaú para Resultado - AGIR, implantado pela direção do banco, é arbitrário, antiquado e pode ser interpretado como Ação Gananciosa do Itaú para Resultado. Os funcionários, segundo o sindicalista, têm o tempo controlado para atendimento a clientes e até para ir ao banheiro.
O Unibanco também foi alvo de protestos por parte dos sindicalistas. Os funcionários estariam sendo lesados após a fusão com o Banco Bandeirantes. Santos disse que existe sério risco de demissão em massa para os funcionários dos dois bancos.


