O Sindicato dos Bancários de Londrina realizou ontem de manhã em frente à agência centro do Banco HSBC, uma manifestação de apoio aos demais sindicalistas de Curitiba, que teriam sido vítimas de escuta telefônica ilegal entre 1997 e 2000. No protesto, que atraiu a atenção de clientes e pessoas que passavam pelo calçadão, o sindicalista Paulo Lima vestiu roupas de ‘‘lorde inglês’’, em alusão ao país de origem do banco. O ‘‘lorde’’ distribuiu grampos de cabelo às pessoas que circularam pelo local. Em uma faixa os sindicalistas escreveram: ‘‘HSBC, o banco que escuta você.’’
Segundo o diretor-financeiro do sindicato, Geraldo Fausto dos Santos, não está descartada a possibilidade de ter havido escuta telefônica também em Londrina. Santos afirmou que um coronel aposentado da CIA (a agência de inteligência americana) teria sido contratado para montar o esquema que grampeou telefones de membros do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana. O esquema foi denunciado pelo ex-sargento da Polícia Militar Jorge Luiz Martins, que confessou ter sido liberado pelo alto comando da corporação para trabalhar na área de segurança do banco. O ex-sargento foi expulso da PM em março deste ano por envolvimento com o HSBC.
Conforme Santos, os sindicalistas não vão aceitar ‘‘um simples pedido de desculpas’’ por parte da direção do banco. ‘‘É um crime inconstitucional contra a liberdade do cidadão, que deve ser apurado pelo governo federal’’, afirmou. Na opinião de Santos, o crime é de repercussão internacional e exige uma posição até do Ministério das Relações Exteriores. ‘‘O Brasil não pode tolerar esse tipo de intervenção de grupos estrangeiros, sob risco de se tornar cúmplice’’. Os grampos que estão sendo detectados ‘‘em palácios, empresas e na vida privada’’, para Santos, é um ato inadmissível.
O sindicato também realizou outro protesto original em frente ao Banco Itaú, no calçadão. O personagem de desenho animado Fred Flintstone foi encarnado por um sindicalista, como forma de chamar a atenção para medidas ‘‘da Idade da Pedra’’ que o banco vem tomando. De acordo com o sindicalista Geraldo Santos, o projeto de ‘‘Ação Gerencial Itaú para Resultado - AGIR’’, implantado pela direção do banco, é arbitrário, antiquado e pode ser interpretado como ‘‘Ação Gananciosa do Itaú para Resultado’’. Os funcionários, segundo o sindicalista, têm o tempo controlado para atendimento a clientes e ‘‘até para ir ao banheiro’’.
O Unibanco também foi alvo de protestos por parte dos sindicalistas. Os funcionários estariam sendo lesados após a fusão com o Banco Bandeirantes. Santos disse que existe sério risco de demissão em massa para os funcionários dos dois bancos.

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