Curitiba O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana lançou ontem um manifesto pedindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa para investigar a remessa ilegal de recursos para o exterior, através da agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado) em Nova York. O dinheiro era enviado para fora do país através das contas CC-5.
Normalmente passavam pela agência do Banestado em Nova York e de lá seguiam para paraísos fiscais. ''A repercussão da denúncia nos meios de comunicação não é suficiente para aplacar a impunidade. Os US$ 30 bilhões desviados para contas laranjas seriam fundamentais para a implementação de um projeto de redução das desigualdades sociais do País'', argumenta a presidente da instituição, Marisa Stedile.
Segundo ela, o volume de recursos desviados demonstra o ''descalabro em que se encontra a administração pública no Brasil, e indica que governos encobrem as fraudes e, em geral, são beneficiários delas''. A sindicalista critica o Banco Central, que não teria exercido seu papel de fiscalizador e por isso, não pode se isentar da cumplicidade com as ''atrocidades cometidas contra a Nação''.
O sindicato considera que o resultado da privatização do Banestado foi desastroso para a sociedade. ''O Itaú recebeu um banco totalmente saneado, isento de qualquer ônus, com uma rede de 376 agências e com mais de 550 mil clientes. De presente, ganhou ações da Copel no valor de mais de RS$ 500 milhões e as contas do governo do Estado por cinco anos. Em agradecimento ao Estado do Paraná, por todas as vantagens recebidas, o Itaú demitiu mais de 7 mil trabalhadores do Banestado'', critica.
Segundo artigo enviado pelo sindicato à Redação da Folha, os 550 mil clientes que o Itaú herdou do Banestado significam um movimento de mais RS$ 12 bilhões por ano. ''Somente uma CPI será capaz de desvendar os segredos que envolvem as negociatas patrocinadas pelo governo de Jaime Lerner (PFL), que remontam à emissão de debêntures da Banestado Leasing e à compra de precatórios de estados falidos, causadoras de enormes prejuízos ao povo paranaense e devem, certamente, fazer parte do esquema de remessa ilegal de recursos ao exterior'', considera a sindicalista.

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