Curitiba – Por lei, as Comissões Parlamentares de Inquérito precisarem de um objeto definido e de repercussão estadual, mas elas também estão sujeitas ao jogo político inerente à Assembléia Legislativa. Como a escolha dos membros que formarão a CPI é baseada no número de deputados que cada partido detém na Casa, as comissões propostas por bancadas minoritárias encontram mais dificuldades.
Às vezes os parlamentares nem chegam a elaborar o projeto de instalação de CPI se esperam uma derrota na votação. É o caso da bancada de oposição na Câmara de Curitiba, que desistiu de criar uma comissão para investigar a existência de um caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Cassio Taniguchi (PFL). ‘‘Mesmo que a CPI fosse aprovada, os governistas teriam o direito de indicar o presidente e o relator. Acabaríamos passando um atestado de idoneidade ao prefeito’’ comenta o vereador André Passos (PT).
Ele defende a proporcionalidade dos partidos no momento da escolha dos membros da CPI, mas discorda do sistema de escolha do presidente. ‘‘É importante que a comissão espelhe a representatividade da Câmara, mas acredito que o presidente deveria ser o parlamentar que sugeriu a comissão, e não escolhido por votação.’’
A criação de uma CPI às vezes é usada como forma de pressão política. Em novembro, deputados da bancada governista acenaram com a persepctiva de montar uma CPI para investigar crises no trânsito em Curitiba. Era uma forma de atingir Roberto Requião, acusado na época de usar seu cargo para impedir que um sobrinho fosse preso após um acidente.

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