Brasília - ''É um absurdo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não ter medidas para o agronegócio''. A afirmação do líder da minoria, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), não é mera e inócua chiadeira de oposicionista, mas sim a expressão do sentimento de uma das bancadas mais fortes do Congresso, a ruralista, e encontra forte eco também em parlamentares da base do governo, de diferentes matizes políticos.
Um influente deputado petista disse que dificilmente o PAC sairá do Congresso sem medidas de incentivo ao setor, possivelmente discutidas no âmbito das desonerações tributárias. ''Alguma medida para a agricultura será tomada aqui'', afirmou a fonte. Além da pressão dos ruralistas, o PAC será pretexto também para empresários de outros setores pressionarem por mais desoneração.
''Sempre que há medidas de desoneração, aparecem os grupos de pressão que querem desonerar mais. Temos que vigiar, como base do governo, para manter o equilíbrio fiscal'', avalia o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). ''As desonerações do PAC foram pequenas e de alcance limitado, mas defendo que, se forem feitas mais desonerações, elas sejam direcionadas para os investimentos. Fora disso, sou contra'', disse o Armando Monteiro Neto (PTB-RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria.

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