Bancada parlamentarjá é igual a do PCdoB
São Paulo - Nascido a partir da expulsão do PT da senadora Heloísa Helena (AL) e dos deputados Babá (RJ) e Luciana Genro (RS), o Partido Socialismo e Liberdade, o PSol, ganhou parlamentares, militantes e força com a crise petista. Com uma bancada de dois senadores e sete deputados federais - engordada nos últimos dias pela adesão dos ex-petistas Ivan Valente (SP), Orlando Fantazzini (SP), Chico Alencar (RJ, João Alfredo (CE) e Maninha (DF) -, o PSol, pouco mais de um mês depois de obter registro definitivo, já se equivale em número de parlamentares ao tradicionalíssimo PCdoB. A debandada petista, estimam seus dirigentes, pode trazer ainda 5 mil militantes para o partido.
Animado por esse surpreendente crescimento, o PSol começa a almejar vôos mais altos para 2006, capitalizando a frustração de setores da esquerda com o governo Lula e recuperando o velho estilo radical abandonado pelos petistas.
A expectativa no PSol por um bom desempenho em 2006 é alimentada também pelo carisma barulhento da senadora Heloísa Helena. Na última pesquisa CNI/Ibope, o estilo rebelde e despojado da senadora seduziu 5% dos eleitores, colocando-a em um quarto lugar na corrida para a sucessão presidencial. Foi a única a crescer, subindo dois pontos em relação a junho.
O potencial eleitoral da senadora cresce à medida que aumentam escolaridade, renda e grau de urbanização dos eleitores. Ela alcança 13% na faixa de renda superior a dez salários mínimos, 12% no público universitário e 9% nas capitais -desempenho, em parte, explicado pela exposição na CPI dos Correios. ''É preciso esperar janeiro, quando ela estiver fora da mídia, para se ter avaliação realista sobre o seu potencial'', diz Carlos Augusto Montenegro, diretor do Ibope.
Antônio Lavareda, consultor em pesquisas eleitorais, considera, porém, o crescimento da senadora ''consistente''. ''Se ela fizer campanha com um mínimo de organização, tem condições de avançar para os dois dígitos'', diz. (AE)





