Bancada paranaense na Câmara está dividida
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domingo, 01 de fevereiro de 2009
Karla Losse Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na véspera da votação para a escolha do presidente da Câmara Federal, o número de indecisos ainda é grande entre os deputados paranaenses. Dos 30 representantes do Estado, nove afirmaram que ainda não haviam decidido seu voto. A eleição para a Mesa Diretora da Casa, em votação secreta, ocorre nesta segunda-feira, mas muitas bancadas ainda teriam reuniões hoje, o que poderá acarretar mudanças de voto de última hora.
O levantamento feito pela FOLHA nas últimas quinta e sexta-feira também mostrou que, entre aqueles que já escolheram seus candidatos, a preferência da bancada é pelo deputado Michel Temer (PMDB-SP) que conquistou dez apoios. O deputado paranaense Osmar Serraglio (PMDB), que participa da disputa com uma candidatura independente, recebeu o respaldo declarado de sete deputados. Ciro Nogueira (PP) e Aldo Rebelo (PC do B) não foram citados durante as entrevistas. Quatro deputados não foram localizados para comentar seus votos.
Entre os que declaram sua opção, os motivos da escolha vão desde a orientação partidária até o fato de um dos candidatos ser paranaense. Esse é o argumento, por exemplo do deputado Ratinho Júnior (PSC) que informou, via assessoria de imprensa, que votará em Serraglio por achar que há necessidade de uma representação paranaense na Mesa. As assessorias de imprensa dos deputados Marcelo Almeida (PMDB) e Gustavo Fruet (PSDB) também informaram que o apoio dos deputados a Serraglio tem ligação com o fato dele ser um político do Paraná.
Em entrevista à reportagem, o deputado Luiz Carlos Setim (DEM) também revelou sua vontade em votar num político do Estado, mas admitiu que tudo ainda depende de conversas com o DEM. ''O Serraglio é minha primeira opção, mas ainda teremos outras discussões em Brasília'', afirma ele.
Mas há deputados na bancada paranaense que não concordam com o critério ''regional''. Para Rodrigo Rocha Loures Filho (PMDB), que votará em Temer, o fato de Serraglio ser do Paraná é ''relevante, mas não pode ser determinante''. ''Se adotarmos o critério regional, então corremos o risco de ter 27 candidatos.''
Rocha Loures Filho defende que a candidatura de Serraglio ''enriqueceu'' o processo eleitoral, mas enfatiza que o apoio a Temer tem ligação com a aliança que o deputado de São Paulo conseguiu construir. ''Ele construiu um arco de alianças fortes, que é necessário para as votações importantes que vamos enfrentar. É fundamental que tenhamos apoio desses partidos todos, que inclui partidos de oposição, para encaminhar os assuntos com a velocidade que precisamos.''
Moacir Micheletto (PMDB), Odílio Balbinotti (PMDB), Ângelo Vanhoni (PT) e André Vargas (PT) também preferiram seguir a orientação do partido. Todos declararam apoio a Temer.
Já Alfredo Kaefer (PSDB) disse à reportagem que ainda não se decidiu sobre o assunto. ''O PSDB deverá apoiar o Temer, mas existe a candidatura de um paranaense, que, a princípio, se sobrepõe a todas as outras candidaturas. Então ainda não há nada definido.'' Entre os indecisos estão também Hidekazu Takayama (PSC) e Nelson Meurer (PP).
Para alguns deputados, nem a existência de um candidato de seu partido garantiu a decisão sobre o voto. Dilceu Sperafico (PP) afirmou que sua decisão ainda dependeria de conversas com o partido, apesar de Ciro Nogueira participar da disputa. Sperafico afirmou que irá escolher o candidato que oferecer ''maior independência ao Legislativo''.
Posição semelhante foi adotada pelo também pepista, Ricardo Barros. O deputado disse que irá aguardar a confirmação da inscrição dos candidatos para definir seu posicionamento. Ele garantiu que, se concorrer, Nogueira terá seu voto, mas não adiantou em quem votaria caso o candidato não participe do pleito.
Já Cassio Taniguchi (DEM), que estava licenciado do mandato para atuar como secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal, retornou ao Legislativo sexta-feira para participar da votação. Ele afirmou, via assessoria de impresa, que seguirá a orientação do partido e votará em Michel Temer. Logo após o processo eleitoral Taniguchi deve pedir nova licença para retornar ao cargo de secretário. (Colaborou Catarina Scortecci)


