RIO - O ex-pefelista João Batista Ramos da Silva, deputado paulista e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) preso com malas de dinheiro em São Paulo na semana passada, não é o único parlamentar cuja atuação está ligada à sua atividade religiosa. O crescimento da bancada evangélica no Congresso acompanha o aumento do número de eleitores que atende pelas denominações protestantes. Pelo menos 60 parlamentares integram a bancada, uma das maiores do Congresso, que reúne membros de 11 igrejas e 11 partidos, do PT ao PFL. Bem organizados, fundaram, em 2003, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), que até realiza um culto no Congresso todas as quartas-feiras.
Entre 1970 e 2000, a parcela da população que é evangélica saltou de 5,2% para 15,6% da população. O maior crescimento é registrado no segmento pentecostal, do qual faz parte a Igreja Universal. Estudiosos do fenômeno no Brasil demonstram que a denominação liderada pelo bispo Edir Macedo consegue orientar 90% dos votos de seus fiéis. Na FPE, a maior parte dos deputados é ligada à IURD e à Assembléia de Deus.
Sobrinho de Macedo, o senador e bispo Marcelo Crivella (PL-RJ) é um dos principais nomes da Frente. Em 2002, ele derrotou o ex-senador Artur da Távola (PSDB) e o ex-governador Leonel Brizola (PDT) na corrida para o Senado. Em 2004, perdeu a prefeitura para a reeleição de Cesar Maia (PFL), mas teve votação expressiva. Seu sucesso político no Rio é atribuído a outro nome de peso da Frente, o ex-bispo da Universal Carlos Rodrigues (PL). Identificando o vácuo de lideranças políticas no Rio, Bispo Rodrigues teria convencido Macedo a desistir de emplacar seu sobrinho em São Paulo.
Entre os integrantes de outras denominações, destacam-se o senador Magno Malta (PL-ES), que costuma apresentar-se como cantor gospel, e os deputados João Mendes (PSL-RJ) e Pedro Ribeiro (PMDB-CE). A FPE é presidida atualmente pelo deputado Adelor Vieira (PMDB-SC). Entre os petistas evangélicos, estão os deputados Walter Pinheiro (PT-BA) e Henrique Afonso (PT-AC).
Naturalmente opositores a projetos como a união civil de homossexuais e liberação sem restrições de pesquisas com células-tronco, a bancada evangélica tem se mostrado mais liberal do que a católica em temas como métodos anticoncepcionais. No entanto, também unificaram posições em torno de temas como o controle externo do Judiciário e a reforma política. De olho nos votos dos fiéis, são contra listas partidárias para eleger parlamentares.

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