Brasília - A bancada do PT na Câmara está entre a indignação, a impotência e a depressão. Deixou atônitos os deputados petistas a revelação de que o empresário Marcos Valério Souza foi o avalista de um empréstimo de R$ 2,4 milhões do BMG ao PT e chegou a pagar uma parcela de quase R$ 350 mil. Ontem, depois de três tentativas frustradas de reunir a bancada, os deputados fizeram um encontro esvaziado onde o assunto era a situação do partido, atingido em suas principais bandeiras, a da ética e a da moralidade.
''Há um sentimento de angústia. O PT é um patrimônio que nos custou construir e que todos nós temos apego. Dói muito ver as pessoas atacando o partido'', disse o deputado Walter Pinheiro (PT-BA). Na reunião de ontem, havia um sentimento de impotência. Deputados diziam não ter informações suficientes para defender o partido dos ataques que tem sofrido. Deputados do Campo Majoritário, corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se sentem traídos por Delúbio Soares, o tesoureiro do partido que deixou o cargo nesta semana depois da revelação do empréstimo com o aval de Marcos Valério.
Eles contam que, em reunião do grupo realizada há cerca de 14 dias com Delúbio, o tesoureiro mostrou as contas do partido, falou dos empréstimos, mas omitiu o aval do empresário. ''Ele tinha de nos alertar. Nós o questionamos se havia alguma coisa que poderiam usar contra a gente'', afirmou o deputado Carlito Merss (PT-SC), externando o sentimento de muitos outros deputados do Campo Majoritário.
Deputados de tendências diversas no partido manifestam consternação com a situação do presidente do PT, José Genoino. ''Genoino tem uma história. Ninguém pode apontar nada contra ele'', afirmou Pinheiro, referindo-se à foto em que Genoino está chorando.

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