Se depender dos discursos - afinal, a votação será fechada -, a bancada paranaense do Senado vai optar pela cassação do mandato do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A votação do processo de cassação que definirá o destino do peemedebista será apreciado amanhã, em sessão extraordinária, e julgará quebra de decoro parlamentar. Renan é acusado de pagar despesas pessoais com dinheiro da empreiteira Mendes Júnior.
O relatório do Conselho de Ética aprovado semana passada pede a cassação do mandato, medida que precisa dos votos de pelo menos 41 dos 81 senadores. Em entrevista à FOLHA, não só os irmãos Álvaro (PSDB) e Osmar Dias (PDT), como também o petista Flávio Arns criticaram o desgaste que o processo de investigação trouxe à Casa, sem que Renan se afastasse da Presidência, mas preferiram classificar a análise em sessão fechada como dispositivo do próprio regimento interno do Senado. À exceção de Álvaro e Arns, contudo, Osmar disse que se manifestaria ''só amanhã (hoje), em Brasília''. A assessoria encaminhou nota.
Na avaliação do tucano, a cassação é necessária por razões institucionais. ''Essa tem que ser a prioridade. Sei que o voto secreto pode reservar surpresas, mas se for uma decisão que frustre as expectativas (de cassação), isso poderá significar o envelhecimento e o empobrecimento do Senado. Se houver absolvição, virão novas representações, o desgaste à Casa se aprofundará e serão mais meses de calvário pela frente'', afirmou Álvaro. Questionado sobre o sistema fechado de votação, o senador resumiu: ''Nem cabe discutir isso agora; talvez para o futuro, a outros casos. Foi ruim inclusive o voto aberto no Conselho de Ética: deu margem a encenações.'' Se ele está convencido da quebra de decoro? ''Não, mas prefiro correr o risco de cometer uma injustiça em relação a um, do que comprometer a instituição.''
Osmar, na nota oficial, considerou que o relatório que recomenda a cassação do alagoano ''reflete a vontade popular''. ''A decisão é importante porque acelera o desfecho deste caso que deixou o parlamento engessado sob uma crise institucional e dezenas de projetos à espera de votação. Com o fim deste impasse, o Brasil poderá ver o Senado como uma instituição de respeito de fato.'' No material de divulgação, porém, não foi manifestada opinião sobre a sessão fechada.
Já o senador petista considerou a sessão fechada ''um absurdo absoluto completo'', mas, a exemplo de Álvaro, a relacionou ao regimento e defendeu mudanças. ''Precisa estabelecer sessão aberta, e também vedar a permanência dos pares, na Mesa, no transcorrer de processos dessa natureza. Evitaria mal estar e constrangimentos'', acredita.
Para o petista, os fatos ''são graves e não são apenas de caráter pessoal, mas também institucional'' - razão pela qual Arns garante estar convencido do teor das investigações do Senado e da Polícia Federal (PF), cuja perícia em documentos de Renan respaldou o Conselho. ''Acredito que houve quebra de decoro, e percebo também que a maioria da bancada do PT pensa assim'', declarou. ''É o tipo de situação que não tem nada a ver com o fato de o investigado ser da base aliada ao governo. É uma decisão pessoal, com base em um fato concreto.''

mockup