Bancada do PR no Senado analisa CPI da Covid com desconfiança

Senadores temem que comissão tenha perfil eleitoreiro e esperam que trabalhos mudem as ações do governo na pandemia

Pedro Moraes - Grupo Folha
Pedro Moraes - Grupo Folha

A bancada paranaense no Senado assiste, com certo ceticismo, aos primeiros movimentos da CPI da Covid-19. Em seu primeiro dia de trabalho, o grupo recebeu 173 solicitações dos parlamentares e, para que cada um seja atendido, precisa ser pautado pelo presidente do colegiado, o senador Omar Aziz (PSD-AM). Sob os holofotes, há muita movimentação, mas os três congressistas do Podemos do Estado já apresentam suas críticas. “Acho que a CPI começou mal, politizando. Vejo que há mais a fotografia de um palanque eleitoral do que uma comissão parlamentar de inquérito. A composição se deu por conta de um acordão e não diria que não foi só da oposição porque há votos do governo”, disse Alvaro Dias à FOLHA. Ele é ainda mais duro quanto à sua expectativa. “Espero que não tenha que defender uma CPI para investigar a CPI, porque a sua composição não nos permite confiar nos seus resultados”.


 

Bancada do PR no Senado analisa CPI da Covid com desconfiança
Edilson Rodrigues/Agência Senado
 


No mesmo sentido segue Oriovisto Guimarães, que afirmou que gostaria de ver os trabalhos serem feitos de forma isenta e correta. Para ele, a CPI deve, mais do que procurar culpados, se ater em encontrar as falhas para que não voltem a acontecer. Para que os resultados sejam positivos para o País, em sua opinião, é necessário que os parlamentares promovam um trabalho conjunto. “Quando eu ouço o Renan Calheiros (MDB-AL, relator da CPI) falar, não fico à vontade. Eu gostaria que o relator da CPI fosse outro, mas espero que o conjunto dos senadores não aprove qualquer relatório. Só aprove relatórios que sejam documentados e que digam respeito a fatos comprovados, senão ela vira palanque, vai se desmoralizar e não dar em nada”, alertou Guimarães.


Um duro embate entre governo e oposição é esperado por Flávio Arns, que disse torcer para que o bom senso prevaleça e que o principal resultado da CPI seja um reposicionamento do governo em relação à gestão da crise sanitária. “Precisamos acelerar a obtenção de vacinas e fortalecer as políticas de distanciamento social até que os dados apontem para uma contenção da doença”, afirmou à FOLHA. O senador espera por respostas em relação a uma possível inação do Ministério da Saúde para a compra de imunizantes, assim como explicações sobre a recomendação do uso de remédios não aprovados para tratar a Covid-19. “Fui um dos subscritores da CPI e estou atento aos trabalhos, dos quais pretendo participar, mesmo sem compor o colegiado. Essa é uma agenda da máxima prioridade”, garantiu.

 

CONCLUSÕES

A obtenção de resultados concretos a partir da CPI também é vista com cautela, até porque o que é permitido ao grupo de trabalho em sua conclusão é a elaboração de possíveis denúncias que devem ser encaminhadas ao Ministério Público. “Evidentemente, a CPI pode dar amplitude ao desgaste ao governo. Mais que isso, pode colocar o mal à luz para que possa ser conhecido, combatido, condenado e, eventualmente, julgado”, lembrou Alavaro, que acrescentou não acreditar em resultados novos para o âmbito de estados e municípios. “A Polícia Federal e o Ministério Público já fizeram 60 operações, apreensões. Tem governador, prefeito e gestores investigados, afastados, como réus. Portanto, acredito que não haverá muito de novo a revelar”, concluiu.

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