Curitiba - O Paraná está fora de nove das 20 comissões permanentes da Câmara Federal. Das outras onze, tem a presidência de somente duas (Agricultura e Seguridade Social) e representação baixa em outras sete (um ou dois membros titulares). Os paranaenses ignoraram as comissões de Indústria e Comércio, de Minas e Energia, de Direitos Humanos e de Meio Ambiente, por exemplo, mas correram ocupar oito das 40 vagas da Comissão de Agricultura e Pecuária.
Na ''pasta'' da Agricultura, o Paraná deitou e rolou. Elegeu Fernando Giacobo (PR) presidente e indicou Abelardo Lupion (DEM) para a 3 vice-presidência. Com mais seis paranaenses, têm 20% do colegiado. É disparada a maior bancada estadual na comissão, com o dobro das representações de Minas Gerais, Pará e Roraima, por exemplo, cada uma com quatro deputados federais. A articulação ''ruralista'' dentro do colegiado é forte, com expoentes do grupo fazendo parte da bancada paranaense, como Lupion, Balbinotti (PMDB), Sperafico (PP) e Meurer (PP).
Assim que tomou posse, Giacobo prometeu atenção especial aos produtores de leite, ''que se sentem prejudicados pelos baixos preços do produto importado''. Disse também que a comissão tratará da privatização dos portos brasileiros, que escoam a safra, junto com a Comissão de Viação e Transportes. Pelo menos nessa tem dois paranaenses, Zeca Dirceu (PT) e Hermes Parcianello (PMDB), o Frangão, como é conhecido o avicultor do Oeste.
A distribuição desigual da bancada não é considerada um problema por Osmar Serraglio (PMDB), coordenador do grupo em Brasília, mas ''uma questão de vocação''. ''Ninguém orquestra isso, há uma disputa de vagas. Ou as pessoas têm a pretensão de participar da mesa da comissão, ou escolhem por vocação. No meu caso, que sou da área jurídica, fiquei na Comissão de Constituição e Justiça'', defende o político.
Considerando a tese da ''vocação'', a preferência dos políticos do Paraná pela Agricultura faz sentido. É uma das principais atividades econômicas do Estado, respondendo por 8,5 do Produto Interno Bruto, segundo o Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). Além do que, como FOLHA destacou em setembro do ano passado, metade dos prefeitos do Paraná têm fazendas. O levantamento, com base em dados da Justiça Eleitoral, consta no livro ''Partido da Terra'', de Alceu Castilho. O estudo trata da convergência perigosa entre interesses pessoais, gestão pública e influência legislativa.
A outra presidência distribuída ao Paraná coube ao petista Dr. Rosinha, alocado na Comissão de Seguridade Social e Família. Ele prometeu tratar da indústria farmacêutica e do complexo hospitalar brasileiros, ''além do financiamento da saúde e da participação da sociedade no Conselho Nacional de Saúde''. ''A questão da patente de medicamentos é importante porque ela pesa na economia popular e também na balança comercial do País'', disse o político.
Desigualmente distribuído nas comissões permanentes, o Paraná integra a segunda região brasileira melhor representada na Câmara Federal. O Sul ganhou seis presidências, enquanto Nordeste e Norte somam juntos apenas três. As outras onze estão nas mãos de políticos do Sudeste. Paulistas têm quatro, cariocas outras quatro e os mineiros dirigem três. O Estado tem 30 deputados federais.

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