Bancada do PR deve garantir 20 votos
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terça-feira, 28 de janeiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
REELEIÇÃOSim, nãoManifestantes expõem faixa de apoio à reeleição em frente ao Alvorada: governo garante vitória, oposição diz que vence.
O presidente Fernando Henrique Cardoso deve garantir no mínimo 20 votos da bancada de 30 deputados do Paraná para seu projeto de buscar mais quatro anos de poder. Ninguém se arrisca a apontar o número exato, mas o perfil governista da bancada paranaense leva deputados mais otimistas a essa projeção. Feita na semana passada, uma sondagem do jornal Folha de S. Paulo indicava apenas 11 votos certos para a reeleição de FHC, 11 contra e o restante no muro.
O rebelde Ricardo Barros (PFL) afirmou ontem que o governo não tem os propalados 340 votos para garantir a reeleição de FHC. Ele mesmo diz comandar uma base governista que rouba 60 votos da reeleição-já. É o bloco dos que trabalham pela obstrução da votação, explica o deputado.
Barros, que vai votar contra a reeleição, não esconde que sua posição é um troco aos líderes do PFL - caso de Jorge Bornhausen -, que lhe tiraram a presidência do partido do Paraná.
Waldomiro Meger (PPB) garantiu ontem que também vota contra a reeleição de FHC e que Dilceu Sperafico (também PPB) deve fazer o mesmo. Vou dar um voto a favor de Maluf, afirmou, garantindo que Sperafico vota junto com ele. Não é o caso do colega de bancada José Janene, que vota com o governo.
Voto contrário de
Ricardo Barros é
um troco aos
líderes do PFL
Na estimativa de Janene, os 20 votos sugeridos pela repórter são um bom número. Ele acha que FHC não arranca mais de 23 votos da bancada do Paraná. Já Paulo Bernardo (PT) restringe os votos contra o governo na sua própria bancada (ele, mais Padre Roque e Nedson Micheletti), Fernando Ribas Carli (PDT), Ricardro Barros (PFL) e Ricardo Gomyde (PC do B). A dúvida de Bernardo é a posição de Hermes Parcianello (PMDB). A Folha não conseguiu localizar o deputado ontem, para conferir como ele vota.
Os indecisos estão negociando, diz Bernardo, estimando vitória do governo na votação de hoje, mas que sai tão chamuscado do processo quanto Sarney, na negociação dos cinco anos. As negociações estão sendo escandalosas e vão fazer depois de encerrada a discussão, prevê.
Valdomiro Meger acha que o governo estava blefando mais uma vez, ao articular a antecipação da votação do assunto para hoje por já ter garantido cerca de 340 votos pró-reeleição. Eles já anunciaram maioria três vezes e não deu em nada, compara. Ricardo Barros garante que a tese, se votada, não passa. Estão anunciando maioria, porque se falarem a verdade saem desmoralizados depois do rolo compressor que colocaram em cima da Câmara.
Barros defende a votação depois da eleição das mesas da Câmara e do Senado. Se isso acontecer antes, o governo vai impor seus nomes e o Congresso vira apenas um departamento legislativo do presidente, diz. Barros integra o grupo que quer a eleição de Prisco Viana (PPB-BA) à presidência da Câmara dos Deputados.


