Curitiba - O deputado estadual Marcelo Rangel (PPS) subiu ontem à tribuna da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná e cobrou, em nome da bancada do PPS, o afastamento do presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), durante as investigações abertas pelo Ministério Público (MP) do Estado em função de novas denúncias de irregularidades feitas pela imprensa e que surgiram em meados de março. Embora outras legendas já tenham feito o mesmo pedido, é a primeira manifestação feita via tribuna, durante uma sessão plenária. PCdoB, PV e o próprio PPS já tinham se manifestado pelo afastamento do presidente Justus por meio de notas encaminhadas à imprensa.
A decisão da bancada do PPS é resultado de uma reunião estadual dos pepessistas, realizada no sábado último em Curitiba. No texto lido na tribuna por Rangel, o afastamento se justificaria para que a ''instituição reencontre o trilho da normalidade''. O texto coloca ainda que seria um ''ato de grandeza e transparência'' do presidente Justus.
Mas, em entrevista à imprensa após o pronunciamento na tribuna, Rangel reforçou que não se trata de ''colocar a culpa'' no presidente. ''Não estamos presumindo culpa. Nós entendemos que, ele se ausentando da presidência da Casa, ele pode responder como parlamentar, preservando a instituição'', disse. O pedido de afastamento não valeria, contudo, também aos demais membros da mesa executiva, como o deputado estadual Alexandre Curi (PMDB), primeiro secretário da Casa. Além de Rangel, a bancada do PPS é composta pelos parlamentares Douglas Fabrício e Felipe Lucas.
Na nota lida por Rangel, também há outras cobranças: os pepessistas pedem o acompanhamento do processo de investigação promovido pela sindicância interna; a apresentação pública e periódica de relatórios produzidos pela sindicância interna; e uma auditoria externa.
Justus, que conduzia a sessão plenária quando Rangel leu o manifesto, se comprometeu apenas a dar respostas à bancada do PPS. Já o deputado estadual Edson Praczyk (PRB) saiu em defesa da permanência do presidente, também na tribuna da Casa. ''Eu discordo veementemente. Não vejo ninguém da mesa executiva dificultando as investigações, deixando de prestar informações. E é o único argumento que justificaria a saída dos membros da mesa executiva'', afirmou Praczyk. Justus saiu antes do fim da sessão plenária.
Recadastramento
A imprensa aguardava ontem que o presidente Justus divulgasse informações sobre o processo de recadastramento dos funcionários da AL, concluído na última sexta-feira, mas ele não falou sobre o assunto. O número de pessoas recadastradas só chegou no final da tarde, via nota oficial: foram recadastrados 1.759 servidores comissionados e 496 servidores efetivos. Em abril do ano passado, a AL informou ter em seus quadros 1.942 comissionados e 516 efetivos.
Entre os comissionados, quem não se recadastrou terá seus salários cortados a partir do próximo dia 30. A maior parte das denúncias envolvendo a AL se refere a funcionários ''fantasmas'' na Casa, daí o recadastramento.

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