Curitiba - Até agora a bancanda paranaense na Câmara Federal é a que apresenta o maior índice de devolução ou doação do salário pago em função da convocação extraordinária, que começou no dia 15 de dezembro do ano passado e vai até o próximo dia 15 de fevereiro. Treze dos 30 deputados federais do Paraná (43% da bancada) não embolsaram o dinheiro, segundo dados da Câmara atualizados na última segunda-feira. Porém, este fato não ameniza a polêmica, que agora gera atrito até entre os próprios parlamentares. Deputados que aceitaram o pagamento consideram demagogia a devolução e, principalmente, a doação e também acusam os parlamentares que tomaram estas atitudes apenas para obterem dividendos políticos.
Dos 30 deputados federais paranaenses, apenas quatro devolveram o dinheiro, que soma R$ 25 mil por dois meses de trabalho extra, aos cofres públicos. Outros nove doaram a instituições assistenciais. ''No início do PT assinávamos uma carta que determinava que os parlamentares não deveriam receber remunerações consideradas imorais pela sociedade, como essa. E nunca recebi. Mas alguns membros do partido passaram a receber. Eu ainda considero imoral'', defende o deputado Dr. Rosinha (PT), que junto com os deputados Cezar Silvestri (PPS), Iris Simões (PTB), Odílio Balbinotti (PMDB) devolveram o dinheiro.
Para Rosinha, receber o salário e doá-lo dá na mesma. ''E ainda gera uma relação clientelista com a instituição'', argumenta. Porém, nove deputados resolveram ajudar quem precisa. ''Sempre que eu recebi a remuneração extra fiz doações. Mas nunca teve esta polêmica. Como sempre auxiliei o hospital (Instituto do Câncer de Londrina - ICL) resolvi dar este dinheiro também'', defedeu-se o deputado Alex Canziani (PTB), que doou R$ 9,3 mil ao ICL. ''Se alguém mais quiser pode mandar'', brincou a diretora do ICL, Kelly Sordi. Segundo ela, o dinheiro foi usado para consertar e comprar aparelhos de ar-condicionado, bebedouros e peças para um equipamento do hospital. ''Vamos repassar as notas fiscais agora'', prometeu.
''Fiquei com o dinheiro porque preciso dele. A devolução não vai resolver o problema do Brasil. As regras são para todos. E a Constituição Federal prevê que a gente receba os salários. Nunca vi um juiz de direito devolver o dinheiro quando recebe convocação especial nas férias. Acho que o que está acontecendo é demagogia'', reclamou o deputado Irineu Colombo (PT), que disse que vai mandar imprimir cartilhas com orientações para os alunos que vão prestar o Enen com o dinheiro. Colombo protestou também contra a própria convocação. ''Queria tirar férias para ficar com minha família.''
A versão de Colombo está muito próxima do que pensam os 17 deputados federais paranaenses que receberam e ficaram com o salário. ''Não gosto de gente hipócrita. Quem doou está fazendo política. Alguns são até corruptos e estão usando isso para limpar sua imagem. Agora que acabou por lei (os deputados votaram dias atrás pelo fim do pagamento), ninguém devia receber nem a segunda parcela em fevereiro. Mas tem deputado que já doou este dinheiro'', afirmou o deputado Max Rosenmann (PMDB). A convocação extraordinária dos 513 deputados e 81 senadores vai custar cerca de R$ 100 milhões aos cofres públicos.

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