Bancada do flash atrapalha CPI, diz Serraglio
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sexta-feira, 15 de julho de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga contratos supostamente irregulares dos Correios deverá ouvir na semana que vem dois ex-dirigentes petistas: Sílvio Pereira (que seria responsável pelas indicações do PT nas estatais) e Delúbio Soares (que seria responsável pelo pagamento do chamado ''mensalão''). Os depoimentos estão marcados para terça e quarta-feira da semana que vem. Para o relator da CPMI, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), os depoimentos fecharão a primeira fase da CPMI, que deverá descansar por uma semana com o intuito de analisar as caixas de documentos recebidas esta semana com quebras de sigilos bancários (fornecidas pelo Banco Central) e documentos que poderão dar novos direcionamentos às investigações.
Entretanto, Serraglio teme pelas pressões internas na CPMI. Desde que iniciaram os trabalhos da comissão, alguns deputados estariam pressionando para que a comissão estivesse permanentemente na mídia. Ele chamou os parlamentares de integrantes da ''bancada do flash''. ''A gente quer avançar e traçar estrategicamente todos os nomes de pessoas que precisam ser chamadas e ouvidas na CPMI. O problema é que somos 16 deputados federais e 16 senadores. Muitos estão lá porque querem aparecer na mídia. Fazem longos discursos durante os depoimentos e nada perguntam efetivamente. É a bancada do flash, que mais prejudica do que ajuda nas investigações'', disse ele, que era um dos integrantes da bancada do PMDB que apóia o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Serraglio disse que tem dificuldades para despachar. Duzentos requerimentos estão para ser analisados. Parte deles tenta aparecer na mídia. Parte tenta minimizar a crise efetiva vivida pelo Governo Lula. Os demais requerimentos são normalmente elencados por ele e aprovados em reuniões secretas, sem mídia, para evitar perda de tempo. O parlamentar confessou que a CPMI já tem progressos importantes. Como relator, ele precisa preservar o sigilo. Mas deu algumas dicas. ''A hora que começarmos a mostrar o que temos e o entrelaçamento perigoso existente entre empresas, partidos e governo, muitos irão ficar surpresos. Não acredito que o governo federal vai tentar interferir no nosso trabalho. Caso contrário, será ainda mais fragilizado'', pontuou.


