Bancada diminui, mas mulheres querem mostrar força na Câmara
A bancada feminina na Câmara Federal diminuiu com relação à última legislatura, mas as deputadas eleitas, respaldadas em grandes votações, deixam claro que vêm com muito mais disposição para a luta. Nesta legislatura, as mulheres representam 6% do Congresso - são 30 dos 513 deputados e 5 dos 81 senadores - mas são experientes e prometem fazer um barulho desproporcional ao tamanho da bancada. O time de 17 veteranas que reiniciam a atuação amanhã será engrossado por 13 novatas na casa, mas não na política, e com representatividade confirmada nas urnas.
A lista de notáveis é encabeçada pela ex-prefeita de São Paulo Luíza Erundina (PSB), a mulher mais bem votada do País, com 187.847 votos, e dona da terceira maior votação nacional alcançada pela oposição. Como outras colegas calouras, Erundina beneficia-se da experiência acumulada como vereadora, deputada estadual e prefeita e dos mais de 20 anos de militância política. Quero atuar como caixa de ressonância dos movimentos sociais do País.
Ainda nesta semana Erundina reúne-se com a cúpula da Cefêmea, o centro de assessoria parlamentar dirigido para as mulheres, do qual já recebeu um levantamento das propostas de interesse da mulher que tramitam na Câmara. Enquanto isso, ela coordena a montagem de um fórum permanente sobre política em São Paulo, integrado por segmentos não políticos.
Não vamos criar nada de novo, vamos resgatar o que já está construído, ressalta a deputada, contando que pretende retomar um projeto pessoal que tentou aplicar na Prefeitura - a progressividade tributária. Sua tese de quem tem mais deve pagar mais impostos, e vice-versa, na época foi bloqueada pelo STF, que alegou não haver lei complementar para sustentá-la. Vou investir na aprovação de uma lei complementar e estarei colaborando com a reforma tributária, diz ela. Outra idéia de Erundina é lutar por todos os projetos de lei de iniciativa popular, como o que cria o Conselho e o Fundo Nacional de Política Habitacional.
Candidata mulher mais votada de Minas, a deputada Maria do Carmo Lara (PT) também traz para a Câmara maturidade política e administrativa adquirida na prefeitura de Betim. Minha experiência como prefeita foi muito rica e me dá condições de defender em Brasília políticas públicas voltadas para a educação e a saúde e para os municípios, diz.
Maria do Carmo experimentou de forma rápida a sensação de sentar à Mesa da Câmara e presidir uma sessão por 40 minutos, na semana anterior ao Carnaval. O plenário estava quase vazio, mas sentiu-se orgulhosa. O fato de nós, mulheres, conseguirmos um mandato é sobretudo um sinal de persistência.Arquivo FolhaExperiênciaLuiza Erundina, a mulher mais bem votada do País: caixa de ressonânciaCláudia Carneiro
Agência Estado





