'Bancada de fé' e LGBTTs vão às urnas
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sábado, 12 de abril de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - De um lado, frentes evangélicas cada vez mais articuladas, agindo para travar a tramitação de projetos que, dizem, contrariam princípios cristãos. De outro, grupos de minorias em busca de mais espaço na política e na sociedade. Os recentes embates travados entre religiosos e militantes LGBTTs (sigla que se refere a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) têm levado ambos os movimentos a se organizarem para lançar candidatos a cargos eletivos em outubro.
A presença de crentes não é novidade no Legislativo. Mas se tornou mais notória nos últimos anos, graças à atuação destacada de parlamentares como Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), críticos ferrenhos do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da descriminalização do aborto e da regulamentação da prostituição, entre outros temas polêmicos.
Na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, onde a chamada "bancada de fé" é composta hoje por dez dos 54 deputados com mandato, a expectativa é aumentar a representatividade. Quando foi instituída, no início de 2011, a frente contava com seis nomes, no entanto, viu sua força crescer após a posse de suplentes. Neste ano, deve pesar ainda a pré-candidatura de Ratinho Jr. (PSC), que deixou recentemente a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu) com a intenção de retornar à AL, como puxador de votos.
"Acredito que tenhamos um avanço e que saltemos para pelo menos 12 (membros) com a mesma profissão de fé", disse o deputado Edson Praczyk (PRB), que é também pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. "Muitas vezes a imagem que se passa é de que nós odiamos os homossexuais. Não, nós entendemos que as pessoas são livres para fazerem as suas escolhas. Agora, falamos sobre o perigo de certas escolhas e as consequências que elas terão na área espiritual", declarou o líder da bancada, Gilson de Souza (PSC), da Igreja do Evangelho Quadrangular.
Atualmente, além de Praczyk e Souza, fazem parte do grupo Leonaldo Paranhos (PSC), Toninho Wandscheer (PT), Artagão Junior (PMDB), Cantora Mara Lima (PSDB), Wilson Quinteiro (PSB), Pedro Lupion (DEM), Jonas Guimarães (PMDB) e Marla Tureck (PSD). Destes, apenas Toninho não disputará a reeleição. A existência da frente, contudo, não é tida como "oficial". Para efeitos práticos, o que prevalece é a atuação dos blocos partidários.
No caso do PRB, a meta é priorizar a Câmara Federal, na tentativa de aumentar o tempo de televisão e os recursos destinados à legenda. Único representante na AL, Praczyk falou que, de qualquer forma, o PRB também voltará os olhos para o Legislativo estadual. Alex Faria, de Londrina, e Laryssa Castilho, de Paranaguá, além de alguns "prefeituráveis", diz, devem engrossar a lista de candidatos à AL.
Já o PSC aposta mesmo no retorno de Ratinho Jr. O filho do apresentador Carlos Massa afirmou em entrevista à FOLHA que sua vontade é voltar ao Paraná, para "ficar mais próximo dos municípios". De acordo com ele, a intenção é eleger entre quatro e cinco deputados estaduais - hoje, apenas Souza e Paranhos fazem parte da bancada -, além de manter o mesmo número de federais: quatro.
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