Curitiba - Apresentadores de programas de rádio e tevê que vão disputar uma vaga nas próximas eleições entram na reta final para conquistar votos no dia 6 de outubro. A legislação determina que no dia 31 de julho os candidatos abandonem o microfone. O Código Eleitoral prevê ainda que a partir de 1º de julho as emissoras deixem de apresentar programas de rádio ou tevê que identifiquem o programa com o nome do candidato.
Ter um microfone à disposição já não representa mais garantia de eleição ou reeleição fácil para comunicadores que elegem a carreira política como uma atividade extra. E embora sejam unânimes em afirmar que o espaço na mídia não garante a permanência no cenário político, nenhum deles pensa em abrir mão do tempo de rádio e tevê, que dependendo do alcance e da audiência da emissora, assegura uma exposição gratuita para a propaganda pessoal do apresentador.
A maioria dos políticos também contesta a fama de assistencialismo, que caracteriza esses programas populares, onde é comum a distribuição de dinheiro, remédios, dentaduras, óculos e até mesmo cadeiras de rodas. Mesmo quando assumem a prática, invocam a ‘‘solidariedade humana’’.
O professor de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo de Oliveira, afirma que a exposição na mídia ajuda a conquistar votos, mas lembra que só isso não assegura uma votação expressiva. É preciso, ele diz, um trabalho parlamentar consistente para garantir a reeleição.
O analista também lembra que depois de 20 anos de democracia há atualmente uma maior cobrança por parte da população com o desempenho do político eleito. ‘‘É visível hoje em dia o amadurecimento do eleitor brasileiro depois de duas décadas de democracia plena, e já não basta mais uma pessoa ser conhecida do grande público para elegê-la a um mandato político.’’
Para exemplificar sua tese, ele lembra a última eleição ao Senado no Estado de São Paulo, quando concorreram a uma vaga o jogador de basquete e cestinha da Seleção Brasileira, Oscar Schmidt e Eduardo Suplicy. Mesmo tendo um nome com forte apelo popular, Oscar perdeu a eleição.
O professor da UFPR salienta ainda um fenômeno relativamente recente, que permite a um número cada vez maior de jovens políticos aliarem sua atuação parlamentar com o trabalho em emissoras de rádio e tevê. E também à crescente banalização da fama, que permite àquele que detém espaço na mídia um reconhecimento imediato e de apelo popular.
Na avaliação de Oliveira, nem sempre, contudo, a estrela de tevê ou do rádio tem um desempenho equivalente como político. ‘‘Temos inúmeros parlamentares aqui no Paraná que são conhecidos em todo o Estado pelos programas que apresentam em canais de tevê ou rádios, que têm um desempenho bastante tímido na sua atividade política.’’ Além disso, o modelo tradicionalmente adotado nesses programas, que explora a miséria humana ou com caráter meramente policialesco pode indicar que o eleitor está mais seletivo.

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