Curitiba - A votação expressiva de Ratinho Jr. (PSC), que acabou "puxando" outros 11 parlamentares do PSC para a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, deve contribuir também para aumentar a chamada bancada evangélica da Casa. Hoje, o grupo conta com dez integrantes. Três, porém, não estarão na AL no próximo ano: Marla Tureck (PSD) e Wilson Quinteiro (PSB) não se reelegeram, enquanto Toninho Wandscheer (PT) migrou para a Câmara Federal.
O presidente da frente, Gilson de Souza (PSC), da Igreja do Evangelho Quadrangular, disse ainda não saber se todos os eleitos do PSC compartilham da mesma fé. Como a legenda possui base cristã, contudo, a expectativa é de que temas levantados pelas igrejas ganhem mais força no Legislativo. "Temos uma grande bandeira, que é defender a família. Vemos aí a família sendo atacada de tudo quanto é jeito. E entendemos que a família é uma célula mater. Se essa célula for desintegrada, perder a sua essência, a sociedade sofrerá grandes consequências".
Pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, o deputado reeleito Edson Praczyk (PRB) também falou que espera mais facilidade para fechar posição. "É como as bancadas que defendem o agronegócio ou as questões voltadas ao idoso. Comungamos da mesma visão, do mesmo posicionamento, e um fortalece o outro". Souza reiterou, por outro lado, que os políticos evangélicos não defendem apenas as questões levantadas pela religião. "Todos nós fazemos o nosso trabalho pautados nisso. Mas a nossa luta será diversa, por educação, saúde e segurança".
Além de Souza, Praczyk e dos três não reeleitos, integram a "bancada da fé" da AL Leonaldo Paranhos (PSC), Artagão Junior (PMDB), Cantora Mara Lima (PSDB), Pedro Lupion (DEM) e Jonas Guimarães (PMDB). A existência do grupo, contudo, não é tida como "oficial". Para efeitos práticos, o que prevalece é a atuação dos blocos partidários.

"Não elegemos o talibã"
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da AL, o deputado reeleito Tadeu Veneri (PT) garantiu que não se preocupa com o fortalecimento de pautas conservadoras na Casa, que contrariem, por exemplo, os direitos das mulheres ou dos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). "Os deputados, mais do que terem as suas convicções pessoais e religiosas, têm uma relação com o eleitor. Felizmente não temos nenhum (Marco) Feliciano (PSC) aqui dentro. E espero que não tenhamos, porque seria um desastre não para a Assembleia, e sim para a sociedade".
Caso permaneça à frente da comissão, o petista falou que espera contar, inclusive, com os novos membros do PSC nas discussões. "Seria muito preconceituoso da nossa parte achar que nós elegemos o talibã. Não fizemos isso. Elegemos um grupo de deputados, que dentro de um conceito buscou expressar para a sociedade a sua vocação legislativa, e que aqui deverá fazer isso".

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