As bancadas evangélica e católica da Câmara de Londrina obrigaram a vereadora Elza Correia (PMDB) a "amenizar" seu projeto de lei que criava o Dia Contra a Homofobia, a ser celebrado todo dia 17 de maio. Para que a proposta passasse em primeira discussão, ontem, a autora precisou retirar trechos da justificativa e modificar o nome para Dia de Luta contra a Violência Provocada pela Homofobia. Após a mudança, apenas Emanoel Gomes (PRB), que é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, manteve o voto contrário.
Na justificativa original, Elza argumentava que, com a instituição da data comemorativa, "verifica-se o incentivo de ações que proporcionam a discussão sobre o direito à livre orientação sexual, bem como a visibilidade da violência praticada contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais". O trecho precisou ser suprimido devido à rejeição da maioria dos parlamentares – que, em plenário, tentavam justificar serem simpáticos a homossexuais, mesmo que votassem contrário à matéria.
O espaço destinado para convidados do cerimonial ficou cheio de militantes da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), além de pessoas ligadas a movimentos evangélicos.
Vereadores tentaram postergar a votação alegando que gostariam de debater mais o assunto antes da apreciação, como Emanoel e Júnior Santos Rosa (PSC). "Talvez eu esteja errado no meu entendimento, mas essa não é uma matéria fácil para eu votar", afirmou. Já para Tio Douglas (PTB), "o voto contrário não significa que o vereador é contra os homossexuais".
Já Emanoel argumentou que o projeto é delicado pelo incentivo à livre orientação sexual. Dizendo-se preocupado principalmente em defender as famílias, sugeriu que fosse criado, ao invés da proposta original, um "dia contra a violência".
Por outro lado, José Roque Neto (PR), que já foi padre, foi favorável desde o início ao projeto de Elza por considerar importante a discussão para acabar com a violência praticada contra os homossexuais. Ele defendeu uma discussão racional da questão e lembrou que o papa Francisco já orientou a acolher o próximo sem distinção.
Gerson Araújo (PSDB), que é pastor evangélico, defendeu que todos devem dar apoio à causa LGBT, "mesmo que tenham dificuldade para compreender".
Para a autora da proposta, a discussão levantada em plenário e as modificações exigidas são um reflexo do preconceito da própria sociedade. "É um tema polêmico e delicado, assim como foi a aprovação do divórcio e a violência contra a mulher. E, no nosso Congresso, havia há pouco discussões sobre a ‘cura gay’", lembrou. O dia 17 de maio foi escolhido porque nesta data, em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do rol de enfermidades.

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