O atraso na votação da mensagem que autoriza o governo a se desfazer de suas ações na Companhia de Energia do Paraná (Copel), preparando-a para a privatização, abriu brechas para barganhas políticas na base aliada ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa. Os deputados ‘lerneristas’ aproveitaram seu próprio cochilo em plenário, na última quarta-feira, e a manobra da oposição que impediu a votação no afogadilho para pedir ao governador antecipação na reforma do secretariado.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), e o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), foram ontem ao Palácio Iguaçu. Eles conversaram com Lerner no gabinete. O único item da pauta apresentada pelos governistas que acabou vazando ontem diz respeito à Casa Civil. A Secretaria, ocupada interinamente por Luiz Alberto Oliveira, está às moscas. Os deputados pediram a nomeação do novo secretário para terem um canal de comunicação. Até agora, quem faz esse papel é o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis.
O encontro entre Lerner e os deputados foi bem sucedido, só para o governador. Lerner mostrou-se irredutível e avisou que só mexe no secretariado a partir de meados de dezembro. O governador explicou que o empréstimo-ponte de R$ 1,2 bilhão, costurado pelo governo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), só sai com a aprovação da mensagem. A contragosto, os aliados mostravam-se conformados. Rossoni anunciou que a base retoma as votações na segunda-feira.
Hoje, o líder passa o dia contactando com os deputados aliados. Muitos deles emendaram o final de semana, e não estavam mais em Curitiba desde quarta-feira à noite. Da base de sustentação, o mais empenhado em atender a vontade do governador ontem era o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Joel Coimbra (PTB). O deputado não se elegeu em 4 de outubro e acalenta a esperança de ser novamente convidado por Lerner para integrar o secretariado no segundo mandato.
O deputado Aníbal Khury não quis detalhar o teor completo da longa conversa com Lerner, no Palácio Iguaçu. ‘‘O posto de abastecimento de foguetes no Palácio Iguaçu está fechado’’, resumiu ele. Desde terça-feira, o deputado vinha declarando aos jornais que a votação da mensagem seria rápida como um ‘‘foguete’’. Na quarta-feira à noite, Khury prometeu convocar sessões plenárias extras.

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