Bamerindus pagou
Proer e tem saldo
de R$ 2 bi a receber
Mari Tortato
No debate que se seguiu com os senadores da CPI dos Bancos, o ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira garantiu que o Bamerindus já pagou todas as pendências decorrentes do socorro do Proer. ‘‘O Bamerindus não deve mais um tostão ao Banco Central’’, afirmou.
O ex-presidente do Bamerindus a existência do Proer como recurso para garantir a estabilidade de instituições financeiras em ‘‘crises econômicas criadas pelo próprio governo’’. ‘‘Mas o Proer é aceito desde que a instituição compradora fique com o bom e o ruim’’, sustentou, voltando a se referir ao fato de o HSBC só ter ficado com a parte boa do Banco.
Andrade Vieira também apontou que há condições de saldar a única pendência ainda existente - de R$ 2,5 bilhões, conforme relatório dado pelo Banco Central à CPI - decorrente de socorro do fundo garantidor de reserva bancária. Conforme Vieira, essa pendência pode ser saldada se houver consenso em pagamento a prazo, já que o antigo Bamerindus tem uma carteria de débitos a receber, da ordem de R$ 5 bilhões.
‘‘Há um saldo de dívida junto ao fundo garantidor de crédito, que é particular, para garantir os depositantes de até R$ 20 mil. O Bamerindus velho ainda tem essa dívida e está negociando prazos e taxas, que em valores nominais chegam a R$ 3 bilhões. Mas tem em carteira a receber de devedores, R$ 5 bilhões sem correção. Então, há condições de recebimento a prazo’’.
Ao responder ao senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), sobre o tratamento dispensado aos pequenos acionistas do banco, José Eduardo confirmou que eles não tiveram qualquer tipo de negociação ou participação no grupo comprador (o HSBC), nem sua situação foi levada em conta pelo Banco Central no momento da intervenção. Conforme o ex-presidente do Bamerindus, os pequenos acionistas ficaram ‘‘totalmente abandonados’’. ‘‘Não houve nenhum entendimento com eles, nenhuma satisfação’’.
Os pequenos acionistas do Bamerindus, frisou Vieira, nunca foram especuladores e estavam com o banco, em média, há 20 anos, tratando o investimento como uma poupança. ‘‘A frustração desse pessoal é enorme’’, afirmou.
Ao senador Roberto Saturnino (PDT-RJ), Andrade Vieira relatou o Bamerindus teve muitas dificuldades em aderir ao Proer e que a operação de socorro só se consumou após um ano, depois de iniciado o vazamento das informações sigilosas sobre o banco.
O ex-senador reclamou ainda do tratamento diferenciado dispendido pelo Banco Central no caso do Proer. ‘‘O Unibanco, o BCN e o Excel podiam fazer o Proer. O Bamerindus não. Mandávamos os pedidos, e sempre vinham sem resposta’’, observou. Andrade Vieira afirmou ainda que mais que socorro financeiro na época o que o Bamerindus precisava era que os boatos fossem imediatamente estancados.

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