Brasília - Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Agricultura, e sob suspeita por responder a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por falsidade ideológica, o deputado Odílio Balbinotti (PMDB-PR) disse ontem, depois de se encontrar com o petista no Palácio do Planalto, que ''não se sente desconfortável'' com as denúncias. ''Se eu tivesse culpa, causaria (desconforto), mas eu sou inocente e o Aristides Junqueira, meu advogado, vai dar uma nota a vocês explicando que sou inocente'', afirmou, declarando que a conversa com Lula foi em torno dos objetivos do governo na pasta.
''Conversamos sobre agricultura do nosso país, com o presidente, com meu líder e o presidente do partido. Nós, juntos com o governo federal, temos um compromisso com o produtor, com a agricultura do País'', afirmou. Balbinotti acrescentou: ''Eu, o Balbinotti, comecei trabalhando na roça com um alqueire de terra e hoje, graças a Deus, Deus me iluminou, e graças à minha competência, hoje sou um grande produtor de semente.''
Diante da insistência dos jornalistas sobre se ele conversou com Lula a respeito do processo, o peemedebista desconversou: ''Não precisa (falar sobre a ação). Isso é fácil, é só puxar na internet. Eu estou expressando tranquilidade a vocês, eu estou expressando tranquilidade à Nação. Eu estou tranquilo, a Nação está tranquila e nós vamos trabalhar em benefício do pequeno, do médio e do grande agricultor.'' Em seguida, disse que ''é importante'' que a imprensa pergunte sobre as representações.
''É importante que o País saiba, mas o presidente não está preocupado porque, a partir do momento que me chamou para ser ministro da Agricultura, ele já estava consciente de que o Balbinotti é correto e transparente'', completou.
Sobre a demora na posse, o novo ministro da Agricultura justificou: ''O atual ministro está viajando para a Indonésia e só volta semana que vem. Além do mais, já fui confirmado. Está aqui o presidente do PMDB (deputado Michel Temer) e o líder do partido (Henrique Eduardo Alves), que já confirmou o nosso nome. A posse será no dia 22 porque o atual ministro (Luiz Carlos Guedes Pinto) está em viagem e não fica bem nós assumirmos o ministério com o atual ministro viajando para o exterior.''
A chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que as nomeações ainda são estudadas por Lula, que tem o próprio ''timing'', acentuando que ''uma parte pode se prolongar para a semana que vem''. Sobre as acusações contra Balbinotti, Dilma desconversou: ''Nós olharemos esta questão, o presidente vai analisar e, como eu disse, está tudo em aberto ainda.'' Ela disse ainda que ''não tem avaliação'' sobre as denúncias e que acredita que uma definição em relação ao Ministério da Agricultura ''tenha ficado para a semana que vem porque o ministro atual está fora do Brasil''. Sobre se o atraso não era por causa das suspeitas, respondeu: ''A questão fundamental é que o ministro atual está fora do Brasil.''
Pouco antes de o futuro ministro se autodeclarar ministro da Agricultura, Dilma dizia: ''Não tem nada batido'', em relação ao nome para o cargo. ''Nós estamos em avaliação. As coisas vão evoluir. Uma parte do ministério sai amanhã (hoje), mas ainda teremos uma série de reuniões ao longo do dia. As discussões estão em andamento'', avisou, sinalizando que na próxima semana o ministério deve estar fechado.

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