'Baixar o pedágio é mais delicado'
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sábado, 26 de novembro de 2011
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A possibilidade de redução das tarifas de pedágio praticadas pelas concessionárias do Anel de Integração do Paraná é algo difícil de acontecer, pelo menos em curto período de tempo. Compromisso de campanha do governador Beto Richa (PSDB), negociar tarifas mais baratas não tem se mostrado tão fácil, principalmente pelas dificuldades impostas em contratos firmados com as pedageiras no início da operação dessas empresas nas estradas paranaenses, em 1998. ''Baixar o pedágio faz parte da negociação, mas é mais delicado, mais demorado, afinal de contas existe um contrato. Temos conversado inclusive com o governo federal, as agências reguladoras, a ANTT, e há uma preocupação muito grande em não romper contrato. Estamos em um momento em que os investidores querem aportar recursos aqui no nosso País, não podemos correr esse risco'', respondeu o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.
Por outro lado, ele destacou as obras previstas em contrato e que o governo tem conseguido antecipar. ''Dentro do que é possível, dentro do contrato, temos conversado (sobre a redução da tarifa). Há uma boa vontade do lado das concessionárias e, independente dessas negociações, temos avançado em outras conversações, como no caso das obras que temos anunciado'', disse ele.
As conversas com as concessionárias resultaram no anúncio de três obras nas últimas semanas. São projetos previstos em contrato inicial, mas que foram negociadas para iniciarem agora. A mais recente foi anunciada ontem, pelo governador e o secretário Richa Filho, no município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Já haviam sido anunciadas a duplicação de 14 quilômetros na BR-277, no trecho entre as cidades de Matelândia e Medianeira, no Oeste paranaense (que foi retirada do contrato em 2004 para redução de 30% na tarifa), obra de mais de R$ 50 milhões, e a construção do contorno de Mandaguari, na região Norte, com investimento de R$ 90 milhões. Esta última deveria estar concluída, mas o governo anterior não fez as desapropriações necessárias. ''Estamos criando cenários, sentando à mesa e vendo o que é possível. Afinal, é isso que a população espera, ela quer ver obras, não adianta ficar só discutindo, retirando obras e dizer 'vou baixar o pedágio'; o governo anterior retirou obras e não baixou'', comparou Richa Filho.
O secretário de Infraestrutura e Logística evitou se comprometer com o anúncio de novas praças de pedágio, que é uma das possibilidades que têm sido discutidas. ''Temos feito vários estudos. Nosso objetivo maior é encontrar soluções para os problemas de infraestrutura do Estado. E não excluímos nenhuma possibilidade. Temos aí a possibilidade de concessão, de PPP (parceria público-privada) ou de que o Estado possa fazer as obras, com a recomposição do caixa, independente desses estudos que podem levar um, dois, quatro anos'', afirmou.
Durante o lançamento da pedra fundamental da obra de Campo Largo, o governador Beto Richa aproveitou para criticar o governo de Roberto Requião (PMDB). ''Nos últimos anos a população acompanhou o comportamento do governo, frases de impacto e factóides, muita enganação e demagogia em época de campanha eleitoral. Agora, na prática, estamos provando esse compromisso, defendendo os interesses da população paranaense.''


