Badan admite ''engano'' em dois laudos
Agência Estado
De Brasília
Integrantes da CPI do Narcotráfico avaliam que o legista da Universidade de Campinas (Unicamp) Fortunato Badan Palhares se complicou ontem ao depor na CPI do Narcotráfico sobre a suspeita de que produziu laudos periciais beneficiando integrantes do crime organizado. Badan que admitiu ter cometido enganos em dois laudos na sua carreira, sem dizer no entanto em quais revelou que fez um laudo sobre a morte do ex-deputado e ex-vice-governador da Paraíba Raimundo Asfora, ocorrida em 1987, sabendo que a arma do crime foi deslocada de sua posição inicial após a morte. Ele reconheceu ainda que não realizou um dos testes, o exame para a verificação do ponto de impacto da bala disparada contra a vítima.
O legista, autor do laudo da morte de Paulo César Farias (PC) e de Suzana Marcolino defendendo a tese de crime passional, lamentou o fato de não ter incluído em seu trabalho a informação sobre a altura de Suzana Marcolino, que era namorada do ex-tesoureiro de Fernando Collor.
Segundo investigações da polícia, Suzana teria um altura 10 centímetros superior à considerada pelo legista da Unicamp. O dado influenciou a conclusão de Badan de que Suzana matou PC e depois se suicidou. O trabalho, no entanto, é contestado pela polícia alagoana, que, na semana passada, indiciou nove pessoas, entre elas um dos irmãos de PC, o deputado Augusto Farias (PPB-AL), sob a acusação de homicídio.
Badan não admitiu falhas no caso PC. Meu laudo só não será correto se aparecerem fatos novos. Em relação à morte do vice-governador da Paraíba, Badan concluiu que Asfora se suicidou, o que é contestado pelo perito criminalista Domingos Tochetto, que foi submetido a uma acareação com o legista. A tese de suicídio confronta-se com a suspeita de que Asfora foi morto por motivação política.
O legista reconheceu também que não foi realizado um exame de DNA para se tirar dúvidas sobre a identificação de um corpo que seria do jovem José Antônio Penha Brito Júnior, desaparecido em 1988, no Maranhão. O menino, filho de um ex-gerente do Banco do Brasil, teria sido assassinado pelo ex-deputado José Gerardo de Abreu, que perdeu o mandato por causa dos indícios de envolvimento com uma quadrilha de roubo de carga e tráfico de drogas denunciada pelo traficante Jorge Meres. Meres diz que Farias e o empresário Willian Sozza, de Campinas, tramaram a morte de PC. O grupo seria integrado ainda por Augusto Farias e pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal, que teve seu mandato cassado depois de ter sido investigado pela CPI.
Os deputados não se convenceram com as explicações de Badan, que diz estar sendo vítima de injúria de colegas e profissionais adversários. O deputado Antônio Carlos Biscaia questionou o fato de o legista ter concluído que Asfora se suicidou considerando que a cena do crime foi modificada. O perito Tochetto, perito oficial do crime na Paraíba, considerou ser impossível o suicídio sendo que a arma foi usada com a mão direita, mas foi encontrada do lado esquerdo da vítima.Parlamentares concluem que legista acabou se complicando no depoimento à CPI sobre venda de documentos a integrantes da rede de crimes
Ed Ferreira/Agência EstadoINIMIGOSBadan Palhares durante o depoimento, ontem na CPI, disse que está sendo vítima da injúria de colegas





