Clayton Levy
Agência Estado
De Campinas
O médico-legista paulista Fortunato Badan Palhares decidiu processar por crime contra honra o perito alagoano George Sanguinetti, que em depoimento à CPI do Narcotráfico, anteontem, acusou-o de ter recebido R$ 400 mil para forjar o laudo sobre as mortes do empresário Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, em 1996. Os advogados de Badan também ingressaram ontem no Conselho Regional de Medicina com uma ação contra Sanguinetti, por quebra de ética e uso indevido de título.
A advogada Tereza Doro, que defende Badan, voltou a desafiar o ex-governador de Alagoas Geraldo Bulhões a provar que seu cliente teria recebido dinheiro para forjar o laudo. ‘‘Se ele (Bulhões) tem alguma testemunha, então terá de apresentá-la publicamente para dizer onde, quando, como e a mando de quem meu cliente recebeu o dinheiro’’, disse. ‘‘Se essa suposta testemunha não for apresentada, vamos interpelá-lo na Justiça por crime contra honra.’’
A advogada também contestou a versão de que, à época da elaboração do laudo, o extrato bancário de Badan teria indicado uma movimentação financeira no valor de R$ 400 mil. Segundo ela, a única movimentação diferente na conta de Badan em 96 refere-se à venda de um imóvel. ‘‘Mesmo assim, o negócio foi feito antes da morte de PC, no valor de R$ 120 mil’’, afirma.
Tereza disse que a análise das contas bancárias de Badan, cujo sigilo foi quebrado a pedido da CPI do Narcotráfico, comprovará a versão do legista. ‘‘Temos todos os extratos e não foi constatada nenhuma irregularidade’’, garante. Segundo ela, a Receita Federal também já realizou um ‘‘pente-fino’’ nas últimas cinco declarações de renda do perito e não encontrou irregularidades.
A advogada disse possuir informações de que Sanguinetti teria recebido R$ 200 mil para levantar a suspeita de duplo homicídio sobre as mortes do empresário PC e Suzana. ‘‘Não posso provar, mas ouvi esses comentários em maio, quando estive em Maceió para conhecer o inquérito’’, disse. Os comentários, segundo ela, circularam no Fórum de Maceió, onde ‘‘todos consideram Sanguinetti um homem com problemas’’.
A advogada apresentou uma carta que teria sido escrita por Sanguinetti que, segundo ela, prova que o perito alagoano faz pareceres sob encomenda para ganhar porcentagens nas indenizações judiciais. No texto, datado de 22 de junho de 1997, há um pedido para que sejam depositados em sua conta bancária R$ 500,00 como ‘‘recursos mínimos’’ para elaborar um parecer sobre a morte de um bebê, ocorrida na creche da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em outro trecho, diz que fixará seus honorários de acordo com o valor da indenização.
A advogada também apresentou um relatório da promotora de Justiça de Maceió, Faildes Soares Ferreira de Mendonça, apontando falhas no parecer que Sanguinetti elaborou sobre as mortes de PC e Suzana. Segundo o documento, que consta do inquérito, o parecer contém ‘‘desvios de interpretação, maliciosamente manipulados, para sustentar, sem respaldo técnico, as afirmações sensacionalistas do Dr. George Sanguinetti’’.

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