Curitiba - "Generalizações prejudicam a imagem do Judiciário perante à sociedade e ninguém ganha quando uma instituição é discriminada", argumenta o juiz Roberto Portugal Bacellar, defendendo a classe que deseja representar a partir de 2014. O paranaense é o candidato de situação à presidência da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), numa eleição que pode dividir o País. Ele já possui o apoio de São Paulo e do Paraná, mas enfrenta gaúchos, catarinenses e setores do Nordeste, derrotados na eleição de 2010.
Bacellar foi entrevistado pela reportagem no dia seguinte ao lançamento de sua candidatura, na quinta-feira, em Ponta Grossa. O evento atraiu o atual presidente da AMB, Nelson Calandra, de São Paulo. Há três anos, Calandra era da oposição e venceu o pleito por uma apertada diferença de 417 votos, numa eleição em que 8,8 mil juízes votaram. A AMB é a maior entidade desse gênero do mundo, com mais de 17 mil magistrados associados. A tensão eleitoral fez com que Bacellar iniciasse já sua campanha, apesar do pleito estar marcado só para 21 de novembro. A oposição ainda não divulgou um candidato.
A crítica às generalizações são a opinião de Bacellar a respeito de declarações emitidas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. No início do ano, quando sentou para discutir a criação dos novos tribunais regionais federais (TRFs) com a própria AMB, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Barbosa disse que "(novos) tribunais vão servir para dar emprego para advogados (...) e vão ser criados em resorts, em alguma grande praia". Foi a primeira de várias declarações polêmicas questionando a "seriedade" do Judiciário no Brasil.
Para Bacellar, a relação da AMB com o STF (e vice-versa) deve ser institucional. "Com o respeito devido e a firmeza necessária", diz o candidato. "Cada um tem que cumprir seu papel constitucional, não tem que haver generalizações. Eu não faria isso e o mesmo esperamos do presidente do STF. Tem é que analisar pontualmente os casos específicos de desvio, esperar que sejam julgados e daí agir para resolver", pontua. Ele também tem críticas ao Conselho Nacional de Justiça, que adjetiva de "espetaculoso".
"O CNJ tem o papel fundamental da gestão judiciária estratégica, mas precisa parar de fazer grandes investidas em mídia e ter uma atuação mais concreta e efetiva. Tem muita superexposição que depois não gera resultado", questiona Bacellar. No âmbito corporativo, ele defende mais segurança aos magistrados. "Não podemos ter juízes acovardados, com medo. Mesmo sofrendo ameaças, o juiz tem que ter equilíbrio suficiente para defender o direito do cidadão", coloca.
No Paraná, Bacellar tem o apoio da associação de magistrados e do presidente do Tribunal de Justiça, Clayton Camargo. Ele acha que as manifestações de rua foram um puxão de orelhas inclusive para o Judiciário. "Não dá para ser meio honesto. Ou é, ou não é. A honestidade é dever de todo o cidadão e, nesse momento histórico, de transformação social, a AMB também pode fazer a diferença", promete o juiz.

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