A pesquisa Ibope, a despeito do seu escasso significado pela circunstância de admitir margem de erro de quase 5%, mexeu com os hormônios da rapaziada, tanto na Capital quanto em Londrina. Em Londrina o Nedson Micheleti subiu bastante em 4,5%, enquanto Belinati entrava em tobogã de 38,3% para 32%. Todavia, isso se dava em função de um quadro precedente ao da impugnação de Belinati pelo TRE que pode catapultá-lo em função do vitimalismo, uma compulsão brasileira, já que o seu eleitor o encara como perseguido pelos ricos e poderosos. A campanha no setentrião está bem mais civilizada do que a de Curitiba, até porque lá há melhores candidatos em termos de densidade política e o leque de opções é bem mais rico.
Como se advinhassem que Beto cresceria nas pesquisas (empata em 24 pontos na estimulada com Vanhoni, ganha de 19 a 16 na espontânea e na simulação de segundo turno vence por 46 a 36), legionários de candidaturas adversárias passaram a pichar os outdoors do postulante do PSDB ao longo das avenidas da região norte. É um indicador de que aquilo que já se dá na Internet, onde a batalha é mais fogosa do que nos programas do rádio e tevê, pode precipitar-se para as ruas. Hoje nas carreatas, passeatas e agitos na Boca Maldita e nos bairros dará para perceber se a hostilidade cresce ou não. O fato é que não se admitirá passividade, apesar do relativismo da pesquisa. De um modo geral o público não sai da apatia, do desinteresse, o que deve deixar marquetólogos e cabos eleitorais à beira de um ataque de nervos.
É mais fácil termos uma guerra de babuínos aqui do que em Londrina. Além do tom mais educado ao norte, há maior compenetração com o ''fair play'', quase ao nível do nosso medalhista da maratona. Já aqui temos um clima de violência contida, uma espécie de furúnculo não puncionado e que lateja. Felizmente há vigilância da Justiça Eleitoral e também dos interessados. Mas enquanto em Londrina o clima é, quando muito, apropriado a uma briga de macaco prego ou de sagui, na capital poderemos chegar a um choque de babuínos, aqueles primatas que lutam se valendo das próprias fezes.

BIZARRICE Não se trata de ''idealizar'' o passado, mas é visível que os pais dos principais candidatos de Curitiba eram bem superiores aos filhos. Vidal Vanhoni, professor e deputado, e José Richa, prefeito, senador e governador, ganham de longe de Ângelo e Beto.

AXIOMA O porto de Paranaguá continua na crista da onda: a correia transportadora com canecos rebitados que leva os grãos ao silão está em reparos e admite-se um custo de R$ 3 milhões. A manutenção do sistema de informática saltou de R$ 23 mil para R$ 44 mil. Uma agência, Chagas e Chagas, está cuidando da imagem do terminal externamente: dois empenhos no total de R$ 800 mil remuneram o trabalho.

GLOSA A Justiça Eleitoral viu as pichações nos outdoors do PSDB e vai ter que agir porque se as coisas continuarem por esse caminho teremos conflitos entre cabos eleitorais na madrugada. Será mais uma prova de que o tema absoluto da campanha, a falta de segurança, é inquestionável. Um caso de metalinguagem.

FOLCLORE No primeiro governo Requião autoridades ambientais e judiciárias foram embargar a represa do rio Betaras construída por Bento Chimelli. Quando perguntaram ao empresário pelo projeto ele apontou, batendo com as mãos na testa, para a cabeça e dizendo ''está tudo aqui''. Lembrou o Paula Nei, um dos maiores boêmios do Brasil, ao fazer exame de Medicina, que ao ser perguntado sobre quantos ossos havia na cabeça pegou na testa e disse ''está tudo aqui com certeza, mas não me lembro''.
CROMO O odor da morte, específico em certas flores, é o oposto ao do amor: Eros e Tanatos jogam a eterna peteca.

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