O ex-secretário de Governo de Londrina Gino Azzolini Neto conseguiu adiar seu interrogatório na 4ª Vara Criminal de Londrina para o dia 6 de junho. Azzolini Neto, que deveria depor ontem, é acusado de participação no desvio de R$ 1,7 milhão da extinta Comurb (atual CMTU), juntamente com o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). O ex-secretário teve a prisão decretada pela Justiça, mas não chegou a ser preso porque não foi encontrado pela polícia e depois obteve uma liminar no Tribunal de Justiça (TJ). Ele esteve no Fórum, mas preferiu não falar com a imprensa.
Azzolini Neto deveria prestar esclarecimentos ao juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau de Araújo Ribas. ‘‘Fizemos uma petição para termos um espaço de tempo e consultarmos as 1,7 mil folhas de documentos, até porque o processo está sendo movimentado todos os dias’’, afirmou o advogado dele, Omar Baddauy, justificando a transferência do interrogatório. Ele também requisitou o direito de seu cliente apresentar defesa preliminar porque ocupava cargo público na época em que teria ocorrido o crime, mas o pedido foi negado.
Baddauy não quis comentar as acusações de que Azzolini Neto teria contribuído para a ‘‘fabricação’’ de licitações fraudulentas para justificar o desvio de recursos da prefeitura. Ele apenas afirmou que essas questões estão sendo discutidas no processo. ‘‘Ele não teve nenhuma participação’’, garantiu. O advogado também negou que seu cliente fosse o elo do esquema de corrupção com empresários de Curitiba. ‘‘Isso não tem a menor procedência.’’ Sobre a segunda ação criminal, da qual consta novo pedido de prisão de Belinati, Azzolini e outros envolvidos, Baddauy disse que só conhece o assunto pela imprensa.
O promotor da 4ª Vara Criminal, Sérgio Corrêa de Siqueira, afirmou que o adiamento do interrogatório não atrapalha o andamento da ação. ‘‘É um processo extremamente grande e isso já era esperado, nunca havia sido proposta uma ação dessa magnitude em Londrina’’, comentou. De acordo com Siqueira, para obter o adiamento, Azzolini Neto alegou que foi um dos últimos réus citados e não teve tempo de preparar sua defesa.
Ontem, o Ministério Público (MP) apresentou um recurso pedindo vistas da decisão de Ribas, que só irá analisar o segundo pedido de prisão preventiva após o TJ analisar o mérito do habeas-corpus que suspendeu as primeiras prisões. O promotor afirmou que o MP vai pedir que o juiz reveja sua decisão. ‘‘Basicamente esses fatos causaram um clamor popular, porque se trata de um tipo de crime que vem ficando impune nesse país há muito tempo e chegou a hora disso mudar.’’
Para amanhã, estão agendados os depoimentos dos ex-secretários Ismael Mologni (Fazenda) e Wilson Mandelli (Administração), além de Eduardo Duarte Ferreira (ex-procurador do município). Até agora, apenas o ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan compareceu ao interrogatório. Belinati pediu dispensa. Já o empresário Cassimiro Zavierucha (‘‘Carlos Júnior’’, apontado como caixa de campanha de Belinati), alegou que não fora intimado, segundo seu advogado Mauro Viotto. Na ação, o MP denunciou 36 pessoas e pediu a prisão de 21 acusados.

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