Azeredo vai explorar rejeição Cardoso
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domingo, 11 de outubro de 1998
Ranier Bragon Agência Folha 
No recomeço dos programas eleitorais anteontem em Minas Gerais, o governador-candidato Eduardo Azeredo (PSDB) deu a tônica da sua campanha no segundo turno: vai tentar minar a candidatura de Itamar Franco (PMDB) explorando a rejeição de Newton Cardoso pelo eleitorado. Azeredo, no primeiro programa, comparou as candidaturas, mas sempre lembrando que o ex-governador Newton Cardoso (PMDB) é o vice de Itamar. O nome de Itamar jamais foi citado sem que o de Newton fosse lembrado como integrante da chapa peemedebista.
Nessas eleições, duas mentalidades totalmente diferentes, dois estilos completamente distintos de se fazer política estão em confronto. E tenho certeza, o meu modo de governar é mesmo muito diferente, mas muito diferente do jeito de governar do candidato Itamar Franco e de seu vice, Newton Cardoso, disse o tucano em uma de suas falas na TV. A expectativa é que os ataques a Newton aumentem nos próximos programas, mas o ex-governador já avisou que se for atacado vai revidar. Eu ainda não disse nada, mas se me atacarem, eu vou falar, disse
Newton, que já ameaçou fazer denúncias contra os tucanos Azeredo e Pimenta da Veiga, eleito deputado federal. Por conta das ameaças, Azeredo e Pimenta já interpelaram Newton judicialmente para que ele explique as suas ameaças. O ex-governador participou de apenas um programa eleitoral de Itamar no primeiro turno, quando atacou Azeredo. Depois disso, voltou a desaparecer do programa peemedebista.
Segundo Newton, ele ainda não fez as denúncias contra os tucanos por conta de um pedido de Itamar. Eu ainda não abri a boca porque o Itamar me pediu cautela, afirmou. Alheio a isso, Itamar Franco reinaugurou o seu programa de TV falando sobre sua trajetória pessoal. Ele também procurou passar a imagem de homem simples.
A disputa no primeiro turno terminou com Itamar na frente de Azeredo. Ele recebeu 44,29% dos votos válidos, contra 38,32% do seu adversário tucano. Esquerda O fim de semana foi marcado pela disputa entre Azeredo e Itamar pelo espólio da esquerda. O PT de Patrus Ananias, que obteve 16,13% dos votos válidos, decidiu se manter neutro na disputa. Já o PSB - do prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro - e o PCdoB, que estavam coligados com o PT no primeiro turno, decidiram apoiar Itamar.
Já Azeredo recebeu o apoio do PV e, apesar da posição oficial do PT, conta também com a simpatia de quase todos os 27 prefeitos do PT no Estado - os prefeitos tentaram evitar a neutralidade do partido e queriam a liberação do apoio para que pudessem subir no palanque tucano. A favor de Itamar, o deputado federal petista Paulo Delgado defendeu o apoio a Itamar ou o voto anti-Azeredo, que seria uma maneira indireta de apoiar o ex-presidente.
Azeredo deve se encontrar esta semana com o governador do Distrito Federal e candidato à reeleição, Cristovam Buarque (PT), em Paracatu (região noroeste de Minas), cidade administrada pelo PT. Buarque já declarou apoio a Azeredo, visando alianças na capital federal. Itamar Franco disse que os partidos de esquerda que o apoiarem farão parte de seu governo. Ele criticou as conversas entre o governador do Distrito Federal e Azeredo, dizendo que elas carecem de ideologia e princípios.


