Belo Horizonte - Condenado em primeira instância a 20 anos e 10 meses de prisão, o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) disse ontem que ficou surpreso com a decisão da juíza da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte. Azeredo afirma que é inocente das acusações e diz que a magistrada "praticamente copiou" a acusação feita pela Procuradoria-Geral da República desde 2007, usando como provas documentos que, segundo ele, são falsificados. A sentença por peculato e lavagem de dinheiro foi dada na tarde de quarta-feira pela juíza Melissa Pinheiro Costa Lage e é a primeira condenação política do caso conhecido como "mensalão tucano". O processo estava nas mãos da magistrada desde março.
"Eu sabia que [a sentença] podia sair a qualquer momento, mas, no meio dessa coisa toda que está acontecendo em Brasília, é um pouco estranho", disse Azeredo. Ele irá recorrer e pode ficar em liberdade enquanto aguarda decisões dos tribunais superiores.

EMBRIÃO DO MENSALÃO


O episódio é considerado um embrião para o mensalão do PT e envolve um esquema de desvio de R$ 3,5 milhões (R$ 14 milhões em valores atualizados) de empresas públicas para abastecer a fracassada campanha de reeleição de Azeredo em 1998. A acusação apontou que teria havido lavagem de recursos públicos da Copasa (companhia de saneamento mineira), Comig (antiga estatal de mineração) e Bemge (antigo banco do Estado). O dinheiro era destinado a agências de publicidade de Marcos Valério, preso no mensalão do PT, como se fossem destinados a patrocínio de eventos. Mas, segundo a Procuradoria, ia para os cofres de campanha.
Azeredo diz que não era responsável pelas despesas da campanha e que não pode ser responsável por ações de terceiros. "Eu não posso me responsabilizar por atos de setores que tinham autonomia financeira", afirma. Também questiona o acúmulo de penas para que a sentença chegasse aos 20 anos de prisão. Uma das provas usadas pela acusação é a cópia de um recibo com uma assinatura que nunca ficou comprovada ser de Azeredo, mas a magistrada argumenta que o documento "coadunaria com as demais provas angariadas" e que, em geral, é "impensável" afastar a participação direta do então candidato à reeleição.
Azeredo diz que se afastou da vida pública para responder às acusações. Em fevereiro de 2014, ele renunciou ao cargo de deputado e o processo saiu do Supremo Tribunal Federal (STF) para a primeira instância, que permite uma maior quantidade de recursos. Atualmente,ele presta consultoria na Federação de Indústrias de Minas Gerais e recebe R$ 25 mil por mês.

mockup