Azeredo e Itamar trocam acusações
No primeiro debate pela TV do segundo turno entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, segunda-feira à noite, o ex-presidente Itamar Franco (PMDB) e o atual governador Eduardo Azeredo (PSDB) preocuparam-se mais em trocar acusações que em apresentar propostas concretas para suas eventuais administrações. Azeredo lembrou que Itamar foi vice do ex-presidente Collor de Melo e insinuou que, em razão disso, o peemedebista também estivesse relacionado ao esquema do empresário Paulo César Farias, tesoureiro da campanha do PRN, em 1990.
O adversário retrucou e sugeriu que os ataques do tucano fossem demonstração de ingratidão, uma vez que, quando presidente, teria dado emprego a Azeredo - o ex-governador chefiou serviço de processamento de dados do governo federal (Serpro), a convite de Itamar. O debate esquentou quando um dos entrevistadores perguntou a Itamar em quem ele votara para presidente.
Itamar, que não dispensa o apoio de FHC, mas corteja os eleitores do PT no Estado, respondeu que o voto era secreto e lamentou o fato de não haver um candidato peemedebista na disputa. Era a resposta esperada pelos assessores tucanos. Para eles, prova que a vitória de Lula sobre FHC por larga margem de votos, em Juiz de Fora, terral nata do ex-presidente, teve influência direta do peemedebista.
O tucano explorou as afirmações. O homem público tem o dever de expor de que lado está, ressaltou Azeredo. Enquanto Itamar procurava mostrar supostos erros administrativos de Azeredo, o candidato do PSDB se referia ao que chamou de incoerência da chapa peemedebista.
Azeredo questionou o fato de o ex-presidente ter como vice seu adversário nas eleições ao governo de Minas de 1986, o ex-governador mineiro Newton Cardoso. Itamar foi enfático, ao ser questinado por um jornalista sobre o mesmo assunto: Quem vai ser governador sou eu, os mineiros estarão votando em mim, e não em Newton Cardoso. Azeredo teve direito a um comentário e voltou a atacar. Não é o que Newton tem dito; ele diz: sou eu quem manda na campanha, sou eu que financio, disse.
Ontem à tarde, advogados da Coligação Minas levanta sua Voz, de Itamar, entraram com representação na Justiça Eleitoral para suspender a divulgação, na campanha tucana, de imagens nas quais Newton Cardoso afirma que ele será o governador, caso o ex-presidente seja eleito. O juiz Marcio Gabriel Diniz aceitou o pedido, no qual os advogados alegavam que o material estava editado - e, com isso, induziria o eleitorado ao erro - e determinou o cancelamento da inserção das imagens no programa de Azeredo.
Enquanto isso, o governador mineiro estava em Paracatu, no Noroeste de Minas, onde recebeu apoio formal de Cristóvam Buarque (PT), que também disputa a reeleição no Distrito Federal. O apoio faz parte de uma troca do petista, que também manifestou-se favoravelmente à candidatura de Mário Covas, em São Paulo, e espera contar com os tucanos, em Brasília.Arquivo FolhaEx-amigosAzeredo e Itamar: governador e presidente durante encontro, em 1994Evaldo Magalhães
Agência Estado





