Azeredo cai e Serra assume comando do PSDB
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terça-feira, 25 de outubro de 2005
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, anunciou ontem que vai pedir licença do comando do partido em discurso feito na tribuna do Senado. O prefeito de São Paulo, José Serra, assume interinamente a presidência do partido. Azeredo é investigado pela CPI dos Correios pelo uso de caixa 2, em sua campanha à reeleição para ao governo mineiro em 1998, na qual foi derrotado.
A situação de Azeredo agravou-se no fim de semana, quando ele confirmou ter recebido um cheque de R$ 700 mil de Marcos Valério para cobrir despesas de sua campanha à reeleição ao governo de Minas, em 1998. Cláudio Roberto Mourão da Silveira, tesoureiro da campanha Azeredo reconheceu na CPI dos Correios que a maior parte dos recursos da campanha era de caixa dois e não foi declarada à Justiça Eleitoral, mas disse que o tucano não tinha conhecimento.
Mourão informou que a campanha de Azeredo gastou R$ 20,1 milhões, mas só foram declarados à Justiça Eleitoral R$ 8,5 milhões. Os outros R$ 11,6 milhões, segundo o ex-tesoureiro, ''eram caixa 2''. Os outros R$ 10 milhões do caixa 2 da campanha foram fornecidos, segundo Mourão, pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do mensalão. Mourão afirmou ter-se endividado comprando veículos para a campanha de Azeredo e que a coordenação da campanha nunca o reembolsou por esses gastos.
Líderes do PSDB - e do PT - estão preocupados com o desdobramento do episódio. Eles temem que as acusações a Azeredo desencadeiem uma onda de denúncias de parte a parte. O receio de petistas e aliados é o envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua família nessa guerra. Ontem Azeredo recebeu um telefonema do coordenador político do governo, ministro Jaques Wagner, durante uma reunião que estava tendo com os senadores tucanos Tasso Jereissati e Arthur Virgílio.
Diante da notícia de que Azeredo estava prestes a renunciar à presidência do partido, o ministro telefonou para lamentar e dizer que o governo e o PT não eram os responsáveis pelas denúncias contra o senador. Preocupado com o acirramento do clima de confronto entre governo e oposição, Jaques Wagner ligou para acalmar os ânimos. Acabou sendo interrompido pelo líder da bancada, Arthur Virgílio, que tomou o telefone de Azeredo para falar com o ministro. ''Não temos lado nesta história. Não temos nada contra o Azeredo e não vamos perseguir ninguém'', repetiu o ministro a Arthur Virgílio. ''Você sabe que os nossos partidos são como primos'', insistiu. Virgílio retrucou: ''Sim, são primos como os israelenses e os árabes. Não tem nenhum problema primo guerrear''.


