Azeda a relação entre FHC e caciques tucanos
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sábado, 28 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaRelações perigosasFernando Henrique e Azeredo: articulações do presidente pode atrapalhar governadores nos estadosApontado como hábil articulador até mesmo por adversários políticos históricos, o presidente Fernando Henrique não tem feito jus à fama com seus aliados mais próximos - os sete governadores do PSDB. A corte presidencial ao ex-prefeito Paulo Maluf, o silêncio e a indiferença nos momentos de crise e a adoção de medidas econômicas que prejudicam os correligionários são alguns dos problemas que afetam os governadores tucanos e azedam sua relação com o Palácio do Planalto.
Irritado com as críticas do Planalto no episódio da greve da Polícia Militar mineira, e desconfiado do objetivo da aproximação entre Fernando Henrique e o ex-presidente Itamar Franco, um dirigente do PSDB deu seu recado: Não vamos vender a alma para eleger Fernando Henrique em Minas Gerais. Não é o único insatisfeito. Não aguento mais os elogios desmedidos do Planalto ao César Maia, desabafou um líder informal do partido, referindo-se ao adversário pefelista de Marcello Alencar, governador do Rio. Imagina se o Azeredo resolve ficar neutro em Minas, se o Itamar concorrer à presidência, emendou outro tucano.
Boa parte do PSDB está nervosa e a direção do partido admite que a tendência é aumentar a tensão, na medida em que se aproximam as eleições gerais de 1998. O desafio é reeleger os governadores do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Pará, Sergipe e Mato Grosso, harmonizando o palanque nacional com as disputas entre os aliados nos Estados.
Em São Paulo do governador Mário Covas, no Rio de Marcello Alencar e em Minas, governada por Eduardo Azeredo, os problemas são proporcionais ao peso dos Estados na economia nacional. Juntos, eles controlam exatos 60,66% do Produto Interno Bruto (PIB) e arrastam uma carga de mágoas e desconfianças traduzida no chororô dos parlamentares.
A convivência com Covas não tem sido fácil desde a posse. A surpresa da intervenção federal no Banespa custou ao governador quase dois anos e meio de chateação e prejuízos. Isso sem falar das consequências da desoneração das exportações, que rendeu queixas inconformadas até da mais recente adesão ao tucanato: o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira. No caso de São Paulo, onde a queda na arrecadação foi mais alta, a perda beira R$ 1 bilhão.
Havia a idéia da compensação que não veio e, evidentemente, isso gera desconforto na relação com o governador, atesta o primeiro vice-presidente do PSDB, deputado Arnaldo Madeira (SP). Mas esta questão é administrativa, e não política, salienta o parlamentar. A seu ver, a crise de confiança entre os tucanos e o chefe Fernando Henrique atinge alguns setores, e não todo o partido. Eu não tenho dúvidas de que o palanque do presidente é o do Covas.
Não é por acaso que o PSDB deixou para comemorar nesta segunda-feira os nove anos completados no último dia 25. Preferimos marcar a festa para a véspera dos três anos de Plano Real, que está essencialmente associado ao PSDB, contou o deputado José Aníbal (PSDB-SP). A razão ele próprio explicou em seguida: o momento é de patentear a boa ação administrativa do partido.
A comemoração dos tucanos reunirá os dirigentes nacionais e regionais do partido, os sete governadores, as bancadas da Câmara e Senado, e todos os ex-presidentes do PSDB, incluindo aí o convidado de honra Fernando Henrique Cardoso. Será um jantar numa mansão do elegante bairro do Lago Sul, em Brasília, especialmente alugada para a festa.
Será uma reunião de vitoriosos; nada de baixo astral, previu o secretário-geral do partido, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), decidido a virar a página das lamúrias para entrar na fase que ele chama de agenda positiva. Há um consenso entre os dirigentes e líderes que é hora de acabar com o nhenhenhém, disse o líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (DF).
É o próprio Arruda quem lembra que o PSDB ficou conhecido como o partido que tem quadros. Historicamente, somos o partido dos grandes programas, que pensa o País, e é isso que vamos resgatar, disse o senador. De olho nas eleições gerais de 1998, o presidente do partido, senador Teotônio Vilela (AL), insiste que é hora de fixar bandeiras e marcar o diferencial.O PSDB sempre foi um partido diferente e não podemos permitir a geléia geral, disse o senador.


